G8 demonstra boas intenções, mas promessas vagas

O encontro das principais nações industrializadas do mundo essa semana no Japão delineou importantes primeiros passos em relação ao aquecimento global. Pela primeira vez, a administração Bush não adotou uma postura completamente não cooperativa, se unindo à iniciativa de cortar a emissão dos gases causadores do efeito estufa pela metade até a metade do século. As grandes nações emergentes, como a China e a Índia, concordaram com a diminuição das emissões a longo prazo (ainda que não especificada).

The New York Times |

Apesar de todas as boas notícias, cúpulas geralmente não passam de vagas promessas e boas intenções e essa não foi diferente. O acordo final não estabelece objetivos que exijam uma ação imediata e investimentos significativos em energias mais limpas. Muitos cientistas acreditam que a diminuição de pelo menos 25% na emissão dos gases causadores do efeito estufa até 2020 seja necessária para evitar que se atinja um ponto do qual não há volta. Como os sul-africanos notaram, sem objetivos a curto prazo os objetivos a longo prazo não passam de um slogan vazio.

Ninguém deve apostar demais nas promessas dos países emergentes também.

A China e os outros deixaram claro que economias industriais maduras como os Estados Unidos e Europa (cuja emissão per capita ultrapassa em muito aquela dos países em desenvolvimento e que contribuíram mais para as emissões causadas pelo homem que já estão na atmosfera) precisam fazer a maior parte do sacrifício. Eles também alertaram que não haverá avanços sem um investimento significativo do oeste.

Essa negociação foi difícil, mas as nações industrializadas puderam aceitar a justiça histórica disso. Infelizmente, sem a total participação da China, Índia, Brasil e outras economias em rápido crescimento, não há esperança de parar e reverter o aquecimento global.

A China pode já ter ultrapassado os Estados Unidos como a maior emissora de gases causadores do efeito estufa do mundo. De acordo com alguns cálculos, os países mais ricos podem parar de emitir gases completamente e ainda não conseguir evitar que a concentração atmosférica deles chegue a níveis inaceitavelmente perigosos.

Em dezembro, as nações do mundo, pequenas e grandes, concordaram durante um encontro em Bali em negociar um novo tratado global até o final de 2009 para substituir o Tratado de Kyoto. Como a cúpula do Japão sugere isso não será fácil. Mas pelo menos os maiores emissores parecem dispostos a negociar.

Os Estados Unidos precisa finalmente se prontificar. Muito se falou sobre a postura do presidente Bush em relação ao aquecimento global (negação, aceitação e, finalmente, promessas vagas de colaboração) mas a verdade é que os anos dessa administração foram perdidos.

Até que os Estados Unidos estejam prontos a se comprometer em reduzir as emissões da América, com objetivos claros e uma agenda organizada, o resto do mundo continuará a achar desculpas para não fazer o mesmo. O próximo presidente e o próximo Congresso precisam pensar em liderar melhor essa iniciativa.

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