Futuro de James Murdoch está em jogo em reunião do conselho da BSkyB

Conselho diretor avalia na quinta-feira licença de radiofusão da rede de TV por satélite assim como destino de filho de Rupert Murdoch que é seu atual presidente

The New York Times |

O escândalo de escutas telefônicas que atingiu o mundo político e a mídia britânicos representa um desafio significativo para a British Sky Broadcasting, a lucrativa rede de televisão por satélite conhecida como BSkyB que tem sido o centro das ambições europeias de Rupert Murdoch .

Na quinta-feira, o conselho da diretoria da BSkyB se reunirá pela primeira vez desde que o início das denúncias de escutas telefônicas ilegais pelo tabloide News of the World de Murdoch forçou sua empresa News Corp. a abandonar a oferta para comprar os 61% de ações em circulação da BSkyB que não possui. O futuro da licença de radiodifusão da BSkyB e o destino de seu atual presidente, James Murdoch, estão na linha de frente, afirmam analistas.

"A maior questão é saber se James Murdoch irá se manter presidente", disse Steve Liechti, analista da Investec Securities em Londres. "Dadas as questões envolvendo a News Corp. e a posição de James Murdoch dentro desse negócio, a diretoria pode achar que sua presença não é apropriada”.

AP
Imagem de TV mostra James Murdoch durante depoimento a comitê parlamentar britânico (19/7)
A reunião acontece quando a Ofcom, a regulador da radiodifusão britânica, dá andamento às investigações para saber se a BSkyB permanece "idônea e competente" para possuir uma licença de transmissão depois do escândalo envolvendo a News Corp. As ações da BSkyB caíram 14% desde os últimos capítulos do escândalo.

Vários ex-funcionários da News International, braço britânico do império de jornais da News Corp., foram presos nas investigações sobre a prática de escutas telefônicas e corrupção no News of the World, que Murdoch fechou depois de 168 anos de circulação.

James Murdoch, que é chefe das operações europeias da News Corp., que incluem a subsidiária britânica News International e a BSkyB, aprovou um acordo de 725 mil libras (cerca de US$ 1,4 milhões na época) a uma vítima de escutas telefônicas em 2008. No Parlamento na semana passada, ele negou qualquer conhecimento de evidências subjacente no caso implicando um segundo repórter do tabloide, além de um que foi condenado em 2007, embora dois ex-executivos da News International tenham questionado o seu testemunho .

Executivos da BlackRock, a maior acionista da BSkyB depois da News Corp., com uma participação de 7,7%, e outros grandes acionistas não quiseram comentar o assunto, citando a política da empresa de não falar com a imprensa durante investigações internas.

Mas alguns acionistas menores e especialistas em governança corporativa têm expressado preocupações a respeito da estrutura de administração na BSkyB e questionado se James Murdoch deve permanecer como presidente. Um porta-voz da BSkyB não quis dizer se o escândalo ou a posição de Murdoch seriam temas da reunião de quinta-feira. "A companhia está muito comprometida com uma boa administração", disse o porta-voz. Uma porta-voz da News Corp não quis comentar o assunto.

Theo Blackwell, um conselheiro do distrito de Camden de Londres, cujo fundo público de pensão investe na BSkyB, disse que ele solicitou a revisão do investimento.

Paul Myners, ministro financeiro da Grã-Bretanha no governo anterior, disse que os 14 membros da diretoria da BSkyB necessitam urgentemente de uma mudança, porque "um número significativo" - quatro - foram diretores por mais de nove anos. Outros quatro estão na folha de pagamento da News Corp. Myners disse que Murdoch provavelmente deve permanecer no conselho, mas não como presidente. "A maioria dos problemas das empresas pode ser rastreada à má administração corporativa e esta empresa fica aquém a esse respeito", disse ele.

Substituição

A empresa Pensions Investmnent Research Consultants, que oferece aconselhamento independente a investidores institucionais, aconselhou os acionistas da BSkyB a pedir a substituição de James Murdoch.

"Sua relação com o acionista controlador claramente compromete sua independência", disse Alan MacDougall, diretor da empresa. “Práticas de governança questionáveis têm sido toleradas na BSkyB por um longo tempo e, infelizmente, muitos acionistas não pediram mudanças. Isso precisa mudar”. “À luz dos acontecimentos atuais, agora é o momento do conselho analisar se a BSkyB e seus acionistas se beneficiariam de um novo e independente presidente", disse MacDougall.

Pelo menos três acionistas da BSkyB votaram contra a nomeação de James Murdoch em 2008: Aviva, Legal & General e Co-operative Asset Management, gestores financeiros cujos investimentos na BSkyB são advêm principalmente de um fundo indexado.

"Havia preocupações sobre ele ser nomeado e a maneira como ele caiu de paraquedas na empresa", disse um desses investidores sob condição de anonimato. "Essas preocupações ainda existem".

A Co-operative, que detém uma participação de 0,003% na BSkyB e uma participação de 0,1% na News Corp., disse em um comunicado enviado por email que uma "reforma radical" é necessária em ambas as empresas, mas especialmente na News Corp., “e certamente no ramo de jornais no Reino Unido, para acabar com o tipo de práticas ilegais e grosseiramente invasivas que são denunciadas”.

Para Julian Franks, professor de finanças na London Business School, "conselheiros independentes do conselho têm de se perguntar o que acontece se (James) Murdoch se demitir e nenhum dos filhos (de Rupert) puderam entrar no ramo?". "Murdoch poderia pensar 'de que adianta eu investir nesse negócio?’, e poderia vender o seu investimento na BSkyB, o que prejudicaria o preço das ações, disse Franks.

Em uma carta aos parlamentares na semana passada, Ed Richards, presidente-executivo da Ofcom, disse que sua decisão sobre a BSkyB estar em forma para possuir uma licença de transmissão não depende de condenação penal no caso.

Ed Taylor, porta-voz da Ofcom, disse que o conceito de "idoneidade e competência" não tem definição fixa e é responsabilidade do regulador interpretá-lo. Não há prazo para terminar as suas investigações.

*Por Julia Werdigier e Graham Bowley

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