Futebol oferece refúgio à cidade mexicana devastada pela guerra do tráfico

CIUDAD JUAREZ - Mais de uma dúzia de jogadores de futebol se recusaram a entrar para o time profissional desta cidade de fronteira, onde muitos corpos torturados e degolados dão medo aos visitantes e moradores. Aqueles que jogam vivem em moradias cercadas, com altos muros cobertos por arame farpado, para protegê-los da guerra entre os cartéis de drogas que matou quase 2 mil pessoas nos últimos 14 meses.

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Policiais fazem a segurança do Estádio Olímpico Benito Juárez

Policiais fazem a segurança do Estádio Olímpico Benito Juárez

Apesar do ambiente proibitivo, o time, Índios, passou para a primeira divisão da Liga Mexicana. No domingo, mesmo quando a polícia anunciava a descoberta de nove corpos enterrados no subúrbio da cidade, o clima para o jogo no Estádio Olímpico Benito Juarez era de comemoração, não de apreensão.

O Índios opera em uma espécie de zona neutra, que exige grande manutenção. Entre 250 e 400 policiais municipais e guardas de segurança controlam a multidão durante os jogos. Alguns jogadores dizem deixar suas casas apenas para os treinos, permanecendo em avenidas centrais durante o dia, restringindo sua locomoção à noite.

Suas mulheres são encorajadas a andar em grupos quando levam as crianças para a escola. "Eu evito as notícias na TV", disse Javier Saavedra, novo na defesa do time. "Eu me sinto mais seguro assim".

As manchetes, como o assassinato de um vice-chefe de polícia e a ameaça de decapitar o prefeito, não impedem os fãs de futebol, pelo menos nos dias de jogo. O estádio, localizado do outro lado do Rio Grande de El Passo, Texas, geralmente atinge sua capacidade total de cerca de 22 mil lugares.

Pais se sentem seguros o suficiente para levar seus filhos. O prefeito José Reyes Ferriz esteve no local no domingo, juntamente com oficiais do Estado de Chihuahua. Até mesmo o bispo de Juarez pode ser visto nas numeradas.

"Nós temos um pouco de medo, mas ainda temos que viver", disse Omar Gurrola, motorista de ônibus de um hotel que levou seu filho de 5 anos ao estádio.

No domingo, os portões abriram às 9h, duas horas antes do início do jogo. Música mariachi era ouvida enquanto os fãs chegavam vestindo camisetas, bandanas e máscaras da tradicional luta mexicana com as cores do time.

"Esta é nossa forma de fugir da realidade, da violência e das notícias ruins", disse Miguel Carbajal, presidente da maior torcida organizada do Índios.

Por JERE LONGMAN


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