Funcionários de lava-rápidos de Nova York recorrem a sindicato

Trabalhadores reclamam de salários baixos, horas extras e falta de condições mínimas de segurança

The New York Times |

Em um lava-rápido localizado numa região industrial do Queens, Adan Nicolas, um imigrante mexicano, está se preparando para abrir uma nova disputa nas batalhas trabalhistas de Nova York.

Seus chefes muitas vezes pagam a ele e aos demais funcionários do lava-rápido menos de um salário mínimo e os enganam na hora de pagar suas horas extras, disse Nicolas. Os trabalhadores, segundo ele, não recebem equipamentos de proteção, mas são forçados a manusear produtos de limpeza cáusticos que queimam seus olhos e narizes.

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Funcionários trabalham em lava-rápido em Nova York, nos EUA (03/03)

Os organizadores comunitários dizem que esses tipos de violações são muito comuns nos lava-rápidos locais. Por isso, nas últimas semanas, sob a tutela de defensores dos imigrantes, Nicolas, 31, instruiu seus colegas a respeito de seus direitos trabalhistas básicos e sobre como podem se organizar. Longe de seus chefes, conversas semelhantes também aconteceram em outros lava-rápidos da de Nova York.

"Estamos todos prontos para lutar por nossos direitos e ter um lugar digno para trabalhar, e não para abusarem de nós como fazem atualmente", disse Nicolas.

Uma coalizão de organizações comunitárias e trabalhistas planeja lançar uma campanha municipal para reformar a indústria dos lava-rápidos de Nova York. Os advogados do sindicato, por sua vez, esperam usar a campanha para sindicalizar os trabalhadores dos lava-rápidos da cidade, a maioria composta por imigrantes.

"Esta é uma verdadeira parceria entre as organizações comunitárias e os sindicatos para que possamos tentar resolver estas problemáticas condições de trabalho", disse Andrew Friedman, co-diretor executivo da Make the Road New York, um grupo que está liderando a coalizão junto com outro grupo de defesa chamado Comunidades de Nova York para a Mudança. Eles recebem o apoio do Sindicato das Lojas de Varejo, Revenda e de Departamento.

A campanha em Nova York enfrenta muitos desafios. Os trabalhadores dos lava-rápidos - cerca de 1,6 mil pessoas, segundo estimativas da coalizão - estão espalhados por 200 locais diferentes, muitos dos quais são propriedades particulares. Cada lava-rápido exigiria um esforço separado por parte da organização.

Muitos dos trabalhadores são imigrantes ilegais e não estão dispostos a falar por medo de ser demitido ou de chamar a atenção das autoridades de imigração. Os gestores e proprietários dos lava-rápidos disseram estar pagando e tratando seus empregados de maneira justa, e prometeram não sucumbir aos esforços para a sindicalização dos trabalhadores. "Agimos de acordo com a lei", disse o gerente do lava-rápido Queensboro, localizado em Long Island, que não quis dar seu nome.

Ele acrescentou que, embora não acredite que a sindicalização seja necessária em seu lava-rápido, ele apoia o fato de que a ideia seja instituída em outros locais "que não estejam pagando o que deveriam para seus funcionários."

Em 2010, o Departamento do Trabalho anunciou um acordo de quase US$ 2 milhões com os operadores de um lava-rápido em Manhattan que deixarma de pagar tanto o salário mínimo quanto as horas extras de seus funcionários.

Um porta-voz do Departamento disse que os investigadores pressionaram para que outros lava-rápidos arcassem com as sanções caso não estivessem cumprindo com as condições impostas pelo acordo.

Mas gerentes e proprietários que ficaram sabendo da campanha afirmaram que irão resistir, em parte porque os acordos coletivos de trabalho provavelmente iriam aumentar os preços dos serviços disponibilizados para os clientes. Isso poderia prejudicar seus negócios.

"Não vamos assinar nenhum acordo com o sindicato", disse o gerente do lava-rápido Whitestone, localizado no Queens, que deu apenas seu primeiro nome, John. "Gosto de coisas do jeito que elas estão."

Por Kirk Semple

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