França divulga ousados planos arquitetônicos para região de Paris

PARIS - Coloque nas mãos dos franceses. Quem mais escolheria um momento de ruína econômica para revelar o mais audacioso plano de urbanização da história recente?

The New York Times |

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Projeto prevê construção de um trem na região metropolitana

Projeto de Christian de Portzamparc prevê construção de um trem

Ainda assim, as 10 propostas para um novo plano mestre para a região metropolitana de Paris, divulgados na semana passada, podem revelar o tipo de idealismo que o mundo precisa agora.

Resultado de um estudo de nove meses comissionado pelo presidente Nicolas Sarkozy, as propostas buscam transformar Paris e seus subúrbios na primeira cidade sustentável "pós-Kyoto", uma referência ao tratado sobre a mudança climática, com a expansão do sistema de metrô e a criação de novos parques.

O governo ainda terá que explicar como pretende conseguir verba para a construção da nova cidade. Os oponentes de Sarkozy, que muitas vezes rotularam o político de o "Presidente do Brilho", questionam se isso não passa de um elaborado golpe de publicidade.

Mas mesmo se nenhuma das propostas for construída, elas mostram uma ousadia que não é vista em uma cidade ocidental há décadas. As equipes variam em experiência de bem estabelecidas estrelas internacionais como Richard Rogers e Christian de Portzamparc a arquitetos franceses em começo de carreira. Todos trocaram imagens criativas por uma análise da diversidade encontrada na cidade. No mínimo, os resultados devem forçar uma reaproximação radical com a identidade de Paris.

A cidade encantada que a maioria de nós conhece através de viagens de férias ou filmes é uma metrópole compacta com cerca de 2 milhões de pessoas que fica dentro da peripherique, um anel viário que circula a região antiga. Suas belas ruas medievais e amplos boulevards retratam o modelo de uma cidade ideal.

Mas há décadas a ampla maioria dos parisienses vive em prédios genéricos e projetos de moradia que tomam conta dos subúrbios. Entre estes estão os bairros pobres de imigrantes que foram tomados pela violência em 2005.

O estudo tem dois objetivos principais: criar um plano para uma cidade mais verde e sustentável e romper com a isolação entre o centro histórico e os bairros do subúrbio. As criações mais provocativas operam em múltiplos níveis, alcançando além da questão de sustentabilidade para lidar com problemas sociais.

Os projetos reconhecem o forte elo entre a política urbana e a igualdade social. Ao ligar preocupações ambientais com questões de identidade, eles sugerem formas de começar a reverter as crescentes divisões sociais que marcam a cidade contemporânea. Se inspirarem um debate global mais amplo a respeito destas tensões, eles terão conseguido algo de valor significativo.

Por NICOLAI OUROUSSOFF 


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