Fracasso de missão da Liga Árabe aumenta tensão na Síria

Conforme violência se aproxima da capital, Damasco, conflito parece cada vez mais caótico e, talvez, inegociável

The New York Times |

O fracasso de uma missão da Liga Árabe em acabar com a violência, a pouca influência da comunidade internacional e um governo tão desafiador quanto a oposição colocam a Síria em um conflito prolongado, caótico e, talvez, inegociável.

A oposição fala menos à respeito das perspectivas de queda do presidente Bashar Al-Assad e mais sobre uma guerra civil que alguns dizem já ter começado, com o governo perdendo o controle e a autoridade em alguns subúrbios da capital e de grandes cidades como Homs e Hama.

Reuters
Crianças protestam contra Assad em Zabadani, Síria (13/01)

Mesmo a capital, Damasco, que permaneceu pacífica durante meses, foi tomada por postos de controle e seus moradores passaram a ser amedrontados por sons de tiros.

O impasse cada vez maior sugere que a situação pode estar saindo de controle. Em uma cidade a meia hora de Damasco, uma delegacia foi recentemente incendiada e, como um ato de retaliação, a eletricidade e água foram cortadas, segundo diplomatas. Durante um tempo, os moradores tiraram água em baldes de um poço da região. Algumas pessoas têm medo de dirigir pelas principais estradas durante a noite.

Em Homs - uma cidade que um político libanês apelidou de "a Stalingrado da revolução síria" – há relatos sobre o crescimento de uma limpeza sectária em bairros de etnias mistas, onde algumas estradas tornaram-se fronteiras muito perigosas para os táxis.

Ressaltando a sensação de desespero, o emir do Qatar disse, em uma entrevista transmitida no sábado pela CBS, que as tropas árabes deveriam intervir na Síria para "impedir a matança”.

"Não há absolutamente nenhum sinal de esperança", disse um diplomata ocidental alocado em Damasco, uma cidade antes tão calma que já foi chamada de Zona Verde da Síria. "Na verdade está mais desesperador do que nunca. E não sei aonde isso vai acabar. Não consigo opinar e acho que ninguém consegue."

"Dia após dia, os sírios estão cada vez mais perto de lutar uns contra os outros", disse um ativista de 30 anos de idade, em Arabeen, perto da capital, que se juntou a um protesto de cerca de mil pessoas na sexta-feira. "Assad tem dividido os sírios em dois grupos – os que estão com ele e os que estão contra ele. E os próximos dias irão trazer mais sangue para as ruas".

Um diplomata em Damasco adotou uma postura mais fatalista. "Não há muito o que qualquer um, a nível internacional, possa fazer", disse ele. "Não há muito mais que a Liga Árabe possa fazer."

Por Anthony Shadid

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