Fotos de atrocidades ameaçam relações entre EUA e Afeganistão

Fotografias publicadas na revista alemã Der Spiegel mostram soldados americanos acusados de transformar execução em esporte

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Jeremy Morlock, um dos militares americanos acusados de cometer atrocidades contra afegãos
A divulgação de fotografias explícitas de soldados americanos aparentemente envolvidos em atrocidades contra civis afegãos ameaça inflamar as tensões entre os governos do Afeganistão e dos Estados Unidos e dar base para os esforços dos talebans em convencer os afegãos de que as tropas estrangeiras são uma força maléfica.

Oficiais da Otan e diplomatas ocidentais têm se preparado para a divulgação, preocupados que isso irá prejudicar ainda mais as relações com o presidente afegão, Hamid Karzai, em um momento já delicado, quando houve vários episódios recentes de vítimas civis.

Três fotografias, publicadas na revista alemã Der Spiegel, mostram membros do autointitulado Kill Team, constituído por soldados do Exército dos Estados Unidos que são acusados de transformar a execução de afegãos inocentes em um esporte enquanto eles exibem uma de suas vítimas como uma espécie de troféu. Outra foto mostra dois civis afegãos que parecem estar mortos.

Cinco dos soldados acusados de envolvimento nos assassinatos, que eram de 5ª Brigada Stryker da 2 ª Divisão de Infantaria, sediada na Base Comum de Lewis-McChord, no Estado de Washington, estão enfrentando processos na corte marcial pela morte de três civis afegãos desarmados. Sete outros membros da unidade são acusados de crimes menores.

Os homens são acusados de simular situações de combate para justificar a morte de afegãos escolhidos aleatoriamente com granadas e armas. O caso veio à tona depois que um dos soldados informou a situação a investigadores militares.

Abu Ghraib

As fotos lembram aquelas que registraram a tortura e humilhação dos iraquianos nas mãos de soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, que foram divulgadas na primavera de 2004. No entanto, havia dezenas dessas fotos e elas mostravam claramente rosto das vítimas, fazendo com que sua dor fosse ainda mais evidente.

O caso repercutiu em todo o mundo muçulmano, de modo que os crimes cometidos contra afegãos devem ter ainda mais exposição, já que hoje existe a ausência de fotografias. A divulgação das imagens ameaça mudar isso.

O governo afegão não quis comentar as fotos, nem a Embaixada dos Estados Unidos, que passou todas as perguntas para as Forças Armadas americanas. Os diplomatas e militares esperam abafar a revolta popular enfatizando que os soldados no caso serão levados à justiça.

*Por Alissa J. Rubin

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