Fortes chuvas ajudam a espalhar a dengue no sudeste do Brasil

RIO DE JANEIRO ¿ Fortes chuvas no último mês criaram uma área fértil de reprodução para os mosquitos transmissores do vírus da dengue, aumentando uma crise que já levou pelo menos 80 vidas no Estado do Rio.

The New York Times |

Acredita-se que o problema da dengue que devastou essa cidade tropical é mais forte e mortal do que o vírus responsável por uma epidemia em 2002, considerada a pior na história recente do Brasil, de acordo com o dr. Jacob Kligerman, secretário de saúde da cidade.

A propagação da epidemia não mostrou sinais de estar diminuindo. Desde janeiro, 75.399 pessoas foram infectadas no Estado do Rio, de acordo com oficiais de saúde. O índice de mortalidade é mais de três vezes maior do que durante a epidemia de 2002, que levou 91 vidas.

Não há vacina para dengue, que é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. A dengue causa febre alta, náusea, vômitos, fortes dores de cabeça e dores musculares e nas articulações. O tratamento inclui analgésicos, descanso e muito líquido. A doença normalmente dura uma semana.

Crianças com menos de 15 anos, que têm pouca imunidade, são mais suscetíveis à infecção. Pelo menos 35 crianças morreram da doença no Estado do Rio.

Conforme o número de mortos aumentava, oficiais públicos tiveram uma reação lenta, em parte porque ninguém podia decidir se o mosquito era um assunto municipal, estadual ou federal. Nos últimos dias, médicos vieram de outros Estados e o governo federal enviou 1.700 integrantes das Forças Armadas para ajudar nas iniciativas contra a doença.

Na semana passada, integrantes do Exército e da Marinha treinados por oficiais de saúde começaram uma viagem de 30 dias no Estado do Rio, visitando 95 mil casas a identificarem áreas férteis para o mosquito e ensinar os moradores a como ajudar a prevenir a doença. Eles também estão dando aos pacientes uma solução salina intravenosa para evitar desidratação severa.

A última explosão foi iniciada por fortes chuvas nos últimos meses. O mosquito procria em tanques descobertos, lagos de água parada e pneus usados que acumulam o líquido. As favelas construídas em montanhas aqui fornecem uma fértil área de procriação.

Problemas turísticos

A epidemia de dengue está custando ao turismo. As embaixadas de vários países, incluindo os EUA, Portugal e Itália, emitiram alertas em seus sites alertando sobre o problema no Rio, o principal portão de entrada do Brasil para turistas estrangeiros. Dois portugueses se infectaram na cidade, de acordo com jornais de Portugal. Oficiais recomendaram que os visitantes usem calças e camisetas de manga comprida, além de passar repelente nas partes descobertas três vezes ao dia.

Pacote de medidas

Quando duas crianças morreram de dengue aqui em novembro passado, as autoridades locais determinaram que um segundo tipo de vírus estava presente e que poderia causar mais mortes do que a epidemia de 2002. Em sua forma mais severa, a dengue hemorrágica, a doença causa sangramento interno e pode até matar.

De acordo com a secretária de Saúde do Rio, 50 pessoas que morreram estavam infectadas com a dengue hemorrágica, metade delas com menos de 12 anos. O número de mortos na cidade agora é mais da metade das 91 mortes relatadas em 2002 em todo o Estado.

Em Jacarépagua, um dos bairros mais atingidos na cidade, a força aérea montou 15 barracas com espaço para cuidar de até 400 pacientes por dia. Havia mais pessoas precisando de ajuda do que poderíamos cuidar, disse o coronel Henry Munhoz, porta-voz da força aérea.

Na semana passada, quatro mil ex-guias dos Jogos Pan Americanos foram chamados para ajudar a lutar contra a doença. O governador do Estado, Sérgio Cabral, apresentou um pacote de medidas contra a dengue, incluindo uma campanha educacional de transporte público, escolas e delegacias.

Essas iniciativas são para evitar uma epidemia no ano que vem. O governador expressou frustração na falta de esforço de oficiais da cidade em prevenir a doença. Mas agora enfrentamos uma crise; não temos tempo para debater de quem é a responsabilidade, ele disse para jornalistas no mês passado. É inútil chorar sobre leite derramado. Há pessoas morrendo.

- Mery Galanternick e Alexei Barrionuevio

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