Fora dos eventos do Dia D, a Rainha Elizabeth fica furiosa

LONDRES ¿ A rainha Elizabeth não está surpresa.

The New York Times |

De fato, ela está descontente, até mesmo brava, porque não foi convidada para se juntar ao presidente Barack Obama e ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, na próxima semana, durante as comemorações do 65º aniversário do dia em que as tropas aliadas invadiram a Normandia, em 1944, de acordo com notícias publicadas pelos tablóides de circulação em massa, na quarta-feira. O Palácio de Buckingham não negou os relatos formalmente.

A rainha, que tem 83 anos, é o único chefe de Estado vivo que serviu durante a II Guerra Mundial. Como Elizabeth Windsor, número de serviço 230873, ela se voluntariou como subalterna no Serviço Territorial de Auxílio às Mulheres, treinando como motorista e mecânica. Às vezes, dirigia caminhões militares em funções de apoio na Inglaterra.

Enquanto servia, ela encontrou o supremo comandante aliado que estava na chegada do dia D, o general Dwight D. Eisenhower, e criou uma simpatia por ele, de acordo com diversas biografias. Isso levou a rainha Elizabeth, coroada em junho de 1953, a dizer anos mais tarde que ele foi o presidente americano com quem ela mais se sentiu tranquila.

Mas no dia 6 de junho, quando Obama e Sarkozy vão à comemorações em locais ícone associados ao ataque americano no dia D ¿ Utah Beach, cidade de Sainte-Mère-Église, onde os primeiros paraquedistas americanos pousaram, e o cemitério americano de guerra em Colleville-sur-Mer ¿ o principal representante britânico será o primeiro-ministro Gordon Brown. Seu papel principal será em cerimônias na cidade de Arromanches, perto das praias quando tropas britânicas chegaram a terra.

Confusão

A forma como a rainha foi excluída se tornou uma confusão em diversos passos equivocados na diplomacia, ou mal-entendidos, dependendo de quem presta as contas, Londres ou Paris. Os franceses dizem oficialmente que consideram as comemorações no setor americano de chegadas como uma cerimônia primeiramente franco-americana, e que a Grã-Bretanha é quem deveria decidir quem seria seu representante ¿ em outras palavras, disse que Brown foi o culpado por não buscar um convite para a rainha.

Os franceses também disseram que o governo de Brown demorou em aceitar que as cerimônias mereciam mais do que um modesto envolvimento britânico, já que a política britânica era de fornecer o governo em escala completa apenas para comemorações com intervalos de décadas.

O último que houve foi o 60º aniversário, em 2004, quando a rainha se juntou ao presidente George W. Bush nos costumes da Normandia. Grupos de veteranos pediram mais preparação para a cerimônia desse ano, porque poucos soldados que lutaram na Normandia provavelmente estarão vivos no 70º aniversário, em 2014.

Especulações

Na Grã-Bretanha, comentaristas sugeriram que Sarkozy não queria dividir o momento propagandístico de receber Obama. Eles acrescentaram que ainda mais porque a presença da rainha corre o risco de transformar a ocasião em uma comemoração da aliança anglo-americana, cujas tropas realizaram as aterrissagens, perdendo cerca de 37 mil homens na batalha pela Normandia. As tropas francesas não participaram das aterrissagens de 6 de junho.

Com a descrição da disputa nas manchetes dos tablóides britânicos nesta quarta-feira, as luvas diplomáticas foram tiradas, pelo menos um pouco. Palácio se enfurece com desprezo do dia D pela rainha, urrou o The Daily Mail, a primeira vez em dias que o destaque de sua primeira página é algo que não o furor sobre os gastos dos parlamentares. Um porta-voz do Palácio não quis comentar mais do que o relato resumido de que nenhum convite foi mandado para nenhum dos membros da família real.

Os tablóides mencionaram oficiais anônimos do palácio, dizendo que o governo de Brown havia deixado a bola cair, possivelmente por causa de relatos de tensão entre o premiê e a rainha. Entre outras questões, foi dito que a rainha esfriou suas relações com Brown devido seu hábito de chegar tarde para suas audiências semanais. The Daily Mail mencionou um oficial sênior do palácio dizendo que o palácio deixou claro ao governo que a rainha gostaria de ir à Normandia.


Por JOHN F. BURNS


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