Fonte de energia limpa gera medo de terremotos na Califórnia

BASIL - Markus O. Haering, antigo explorador de petróleo, queria ser o herói desta cidade medieval ao perfurar cinco quilômetros de profundidade na esquina entre as ruas Neuhaus e Shafer.

The New York Times |

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Broca é preparada para o projeto geotérmico de AltaRock Energy
em Anderson Springs, na Califórnia

Ele procurava por uma fonte de energia limpa e renovável que parece sair diretamente de uma história de Júlio Verne: o calor brando que existe sob a rocha estratificada da Terra.

Tudo parecia bem (até o dia 8 de dezembro de 2006, quando o projeto causou um terremoto que danificou casas e alarmou muitos em uma cidade que, como toda criança aprende na escola local, foi devastada há exatos 650 anos quando um terremoto derrubou duas torres da Catedral Muenster no rio Reno.

Rapidamente encerrado, o projeto de Haering foi esquecido por quase todos fora da Suíça. No começo desta semana, no entanto, a companhia americana AltaRock Energy, começara a usar um método similar para perfurar um solo falho há duas horas de São Francisco.

Moradores da região, que fica entre os condados de Lake e Sonoma, já protestam por conta de pequenos terremotos gerados por projetos menos geologicamente invasivos na região. Mas oficiais da AltaRock dizem ter escolhido o local em parte por que sua história de pequenos abalos sinaliza riscos limitados.

Como a iniciativa de Basil, o novo projeto irá em busca de energia geotérmica fraturando rochas duras a mais de três metros de profundidade para extrair seu calor. A AltaRock, fundada por Susan Petty, pesquisadora veterana de energia geotérmica, conseguiu mais de US$ 36 milhões do Departamento de Energia, além de inúmeras firmas de investimento como Kleiner Perkins, Caufield & Byers e Google.

A AltaRock afirma que irá se manter afastada de grandes falhas geológicas e que pode operar com segurança. Mas em um relatório sobre o impacto sísmico que a AltaRock teve que apresentar, não foi mencionado que o programa de Basil foi cancelado por causa de um terremoto. A AltaRock alega não ter certeza de que o projeto tenha causado o terremoto, apesar de sismólogos do governo suíço terem afirmado que sim. A companhia também não mencionou os milhares de pequenos abalos gerados pelo projeto de Basil que continuaram a ocorrer muitos anos depois de seu fechamento.

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Trabalhador varre o chão de local do projeto geotérmico
Markus O. Haring em Basil, na Suíça

O projeto californiano é o primeiro em dezenas de outros que podem operar nos Estados Unidos nos próximos anos, gerados por uma medida que busca cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa e pelo apoio da gestão Obama à energias renováveis.

O potencial geotérmico como fonte de energia gerou esperança e seus defensores acreditam que esta pode ser a solução para o fim da dependência americana dos combustíveis fósseis (possivelmente fornecendo cerca de 15% da eletricidade do país até 2030, de acordo com uma estimativa da Google).

O calor da Terra está sempre ali esperando para ser utilizado, ao contrário do vento e do sol, que são intermitentes e por isso menos confiáveis. De acordo com um relatório geotérmico de 2007 financiado pelo Departamento de Energia, a energia geotérmica em teoria pode gerar até 60 mil vezes o uso anual do país. O presidente Barack Obama, em uma coletiva de imprensa na terça-feira, citou a energia geotérmica como parte da "transformação limpa da energia" que um projeto de lei diante do Congresso busca gerar.

Companhias energéticas há muito produzem pequenas quantidades e energia geotérmica usando leitos superficiais de vapor, geralmente por baixo de gêiseres ou ventilações chamadas fumarolas. Mesmo estes projetos podem induzir terremotos, ainda que de escala pequena.
Mas para que a energia geotérmica seja utilizada mais amplamente, os engenheiros precisam encontrar formas de remover o calor de camadas mais profundas da Terra.

Alguns defensores da prática acreditam que o método utilizado em Basil, e que será testado na Califórnia, é a resposta para isso. Mas porque grande quantidade de terremotos tende a surgir em profundidades maiores, quebrar essas rochas pode oferecer um risco maior afirmam os sismólogos.

Por JAMES GLANZ

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