Fome atinge milhares de pessoas no Zimbábue

NZVERE, Zimbábue - Ao longo de uma estrada em Matabeleland, crianças descalças enchem os bolsos com sementes de milho que caíram de um caminhão de passagem como se os grãos amarelados, que normalmente servem apenas para alimentar animais, fossem moedas de ouro.

The New York Times |

Nas empoeiradas ruas de Chitungwiza, a família de vendedores de lenha Mugarwes preparava um pão, sua única refeição, com 11 fatias para compartilhar entre si. Todos comem duas fatias, menos o mais novo, de dois anos. Ele recebe apenas uma.

Nas pequenas fazendas da região de Mashonaland, antes uma próspera fornecedora de todo o sudeste africano, camponeses destituídos procuram por grilos e besouros  e jogam tudo na frigideira. "Quando achar isso terei uma refeição", disse Standford Nhira, um fazendeiro tão magro que nem mesmo suas meias servem em torno de seus tornozelos.

A fome representa uma ameaça assombrosa na antes próspera paisagem do Zimbábue, onde uma pesquisa recente da ONU descobriu que sete em 10 pessoas não haviam comido nada, ou apenas uma refeição no dia anterior.

Depois de quase três décadas sob o domínio do presidente autoritário, Robert Mugabe, os zimbabuanos estão enfrentando seu sétimo ano de fome. Essa crise amplamente criada pelo homem, ocasionalmente piorada pela seca e chuvas erráticas, foi gerada por políticas agrícolas catastróficas, ruína econômica e um partido dominante que usa as terras cultiváveis e os alimentos como armas em sua violenta (e bem sucedida) tática para permanecer no poder.

Mas este ano é diferente. Este ano, a fome é muito pior. Pelo menos é o que informa a pesquisa conduzida pelo Programa Mundial contra a Fome da ONU apenas no último ano. A pesquisa descobriu que a quantidade de pessoas que não haviam comido nada no dia anterior aumentou de 0% para 12%, enquanto os que haviam consumido apenas uma refeição passaram a representar de 13%, 60% no último ano.

"Ainda não vemos inanição em massa", disse Sarah Jacobs, da Save the Children, acrescentando que sem ajuda urgente, "nós podemos ter números ainda mais alarmantes em janeiro".

- CELIA W. DUGGER

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