Fluxo imigratório de haitianos após tremor confunde expectativas

Diferentemente de maioria da população do país, estudantes que foram viver nos EUA depois de terremoto têm status social elevado

The New York Times |

Após o terremoto no Haiti, Alberto M. Carvalho, superintendente de escolas de Miami-Dade – o quarto maior distrito do país, com 345 mil estudantes – esperava matricular milhares de sobreviventes que chegariam do devastado país caribenho.

Ele estava errado. Um ano depois, o seu distrito tem 1.403 sobreviventes – o maior número no país, mas muito abaixo do que ele previa. Ele esperava que a maioria seria pobre – como o Haiti, que é o mais pobre país do Hemisfério Ocidental. "Eu achava que eles iriam precisar de muitos serviços do governo", disse ele.

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O sobrevivente haitiano Kevin Lassegue tem aulas de francês na escola Felix Varela, em Miami
O distrito fez planos para converter um antigo hospital Batista em uma escola para 125 sobreviventes, que também seriam abrigados no local. Mas estava errado de novo. Os haitianos que chegaram não precisaram do antigo hospital. "Eles eram de um status social mais elevado", disse Carvalho. "Definitivamente, classe média e média alta".

Muitos eram como Nicolas Villedrouin, Frederick Carl Janvier e Zahry e Nakim Edmond, sobreviventes que agora são colegas na Escola de Ensino Médio Felix Varela. O pai de Villedrouin é dono de uma empresa de engenharia no Haiti, com 300 empregados. O pai de Zahry e Nakim é proprietário de uma empresa farmacêutica. O pai de Carl é dentista e sua mãe, médica.

O superintendente também ficou surpreso com os locais onde os sobreviventes do terremoto apareceram. Ele esperava um grande fluxo na Escola Edison, uma instituição em uma região pobre do centro da cidade que durante anos teve a maior população haitiana do distrito.

Apenas seis sobreviventes se matricularam em Edison. Mas, na Escola Varela, no próspero subúrbio de West Kendall, 51 se inscreveram, o segundo maior número entre as escolas do distrito.

Muitos que se matricularam em Varela haviam frequentado o Lycée Français ou a Escola da União, as escolas da elite do Haiti. "Nós todos conhecíamos uns aos outros, frequentávamos as mesmas festas", disse Kevin Lassegue. "Após o terremoto, ficamos em contato através do Facebook e descobrimos para onde ir em Miami".

A diretora da Escola Varela, Connie Navarro, pensava que os recém-chegados estariam em estado de choque – de maneiras que nem mesmo ela poderia compreender plenamente – e por isso preparou conselheiros para ajudá-los. Ela não esperava que teria que acrescentar uma sala do curso avançado para acomodá-los.

Tampouco ela esperava que três sobreviventes do terremoto – Nicolas Etienne, Hans Hillel Rousseau e Edmond Zahry – seriam tenistas bem classificados no Haiti e que liderariam sua equipe ao campeonato regional pela primeira vez.

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Carl Pierre Louis, que deixou o Haiti após o terremoto, durante aula de história em Miami
Segundo os últimos dados da agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras, nos nove meses depois do terremoto, 8.989 haitianos vieram para os Estados Unidos, aproximadamente o mesmo número que chega ao país em um ano normal.

A maioria - 6.956 - desembarcou em Miami. Nova York ficou em segundo lugar, com 1.135. Em todo o país, a população haitiana é de 535 mil, sendo 47% na Flórida e 27% em Nova York.

*Por Michael Winerip

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