Financiadores podem ter de se expor em campanhas

Cresce nos EUA movimento contra decisão da Suprema Corte de permitir propagandas políticas com dinheiro de origem desconhecida

The New York Times |

Com pouco tempo a perder, os legisladores do Capitólio se reuniram diante da Suprema Corte na quinta-feira para propor um antídoto à perigosa decisão judicial de permitir um número ilimitado de propagandas políticas patrocinadas com dinheiro de financiadores desconhecidos.

O senador Charles Schumer, democrata de Nova York, e o representante Chris Van Hollen, democrata de Maryland, pedem que uma nova lei seja criada para que os eleitores saibam quem são os financiadores que estão se posicionando contra ou a favor de determinado candidato.

A Câmara do Comércio dos EUA imediatamente, e de maneira previsível, alertou que essa proposta  "silenciaria o direito de expressão defendido na Constituição". Na verdade, a medida traz transparência a gastos de campanhas até então sigilosos.

Assim como Frank Perdue costumava defender orgulhosamente os frangos que vendia, a nova lei exigiria que corporações, sindicatos e organizações de fachada que financiassem campanhas políticas defendessem sua mensagem diante das câmeras. Isso é saudável e justo. Para fazer escolhas conscientes, os eleitores certamente precisam ter informações.

Além disso, a lei também exigiria que corporações e sindicatos informassem quanto estão gastando nesses anúncios. Outras provisões obrigariam que acionistas e membros dos sindicatos fossem informados sobre o que seus líderes estão fazendo; restringiria o interesse estrangeiro em investir em formas de mudar a cabeça dos eleitores; e impediria gastos políticos de grandes contratados do governo ou de empresas que usam dinheiro dos pacotes de resgate.

Líderes republicanos tentaram atenuar a nova proposta tratando-a como um escudo usado pelos democratas no poder. As pesquisas mostram que, na sua maioria, o público se opôs à decisão da Suprema Corte.

Candidatos de ambos os partidos deveriam ver a nova proposta como uma proteção contra ataques patrocinados por ricos da esquerda e direita.

O presidente Barack Obama tinha razão quando descreveu a aprovação da nova medida como crítica "para restaurar nosso governo a seu dono: o povo americano".

*Editorial

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