Fim do sigilo deve mudar setor bancário da Suíça

Conflito fiscal entre o banco UBS e Washington pode transformar transações no país europeu

The New York Times |

Conforme legisladores suíços parecem determinados a resolver um conflito fiscal entre o banco UBS e Washington, uma coisa está ficando clara: o fim do sigilo bancário absoluto irá mudar o notável setor bancário do país.

Bancos privados que anteriormente se especializavam em ativos não declarados em Genebra e Zurique terão de se adaptar, e alguns podem fracassar, preveem analistas e estudiosos. Os que permanecerem terão menos ativos a gerir.

As mudanças acontecem não apenas pelo que ficou conhecido na Suíça como o projeto de lei UBS - que o Parlamento deve aprovar no começo do próximo mês.

Diversos tratados fiscais atualizados com Estados Unidos, França, Alemanha e outros países também buscam dissuadir possíveis sonegadores de proteger seus ativos em contas sigilosas na Suíça prometendo cooperação do governo.

Mas a mudança não foi ideia da Suíça. Seus vizinhos, dolorosamente cientes das receitas fiscais que perdiam, têm aumentado a pressão sobre o país há muitos anos.

Mas não foi até que o governo dos Estados Unidos ameaçou o banco UBS, o maior da Suíça, de uma ação judicial há pouco mais de um ano que o muro realmente começou a cair.

Em agosto, o UBS concordou em divulgar os nomes e contas de 4.450 ricos americanos suspeitos de evasão fiscal e pagar uma multa de US$ 780 milhões em troca da suspensão de uma ação judicial dos Estados Unidos.

Mas em fevereiro, a principal corte da Suíça afirmou que o acordo violaria leis suíças, fazendo com que o governo local pedisse uma aprovação retroativa do Parlamento.

Os suíços estão bem conscientes do que está em jogo no caso do banco UBS. Caso o acordo não seja apoiado pelo Parlamento, o processo contra o UBS provavelmente seria reaberto. Em última instância, a licença do banco para atuar nos Estados Unidos pode ser revogada.

O banco ampliou sua ação nos Estados Unidos com a compra do PaineWebber em 2000; cerca de 37% de seus funcionários estão nas Américas.

Um fracasso também poderia acelerar novas ações judiciais contra outros bancos suíços, embora Naville tenha afirmado que "não há indícios de que qualquer outro banco suíço tenha se comportado da forma como o UBS agiu nos Estados Unidos".

O maior grupo no parlamento, do nacionalista Partido do Povo Suíço, planeja votar contra o projeto de lei UBS, que considera uma violação da soberania nacional.

Mas outros três partidos parecem dispostos a oferecer o apoio necessário para que a lei seja aprovada, embora ainda manobrem sobre detalhes, afirmaram membros do Parlamento.

Os Sociais Democratas, principal partido de centro-esquerda, estão tentando trocar seu apoio por concessões do governo em reforçar as regras de supervisão bancária e bônus.

Ambas as questões têm tumultuado a plácida Suíça, onde os cidadãos ficaram chocados com recentes resgates financeiros - sobretudo depois de um resgate do UBS no ano passado.

Por Matthew Saltmarsh

    Leia tudo sobre: suíçabancos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG