Fim de relacionamento de Bristol Palin vira questão pública

Esta é uma notícia no cruzamento da política, sociologia e fofoca: a filha adolescente da governadora Sarah Palin, Bristol, e seu namorado, Levi Johnston, terminaram seu noivado, cerca de 10 semanas depois do nascimento de seu filho.

The New York Times |

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Levi Johnston e Bristol Palin terminaram o noivado

Levi Johnston e Bristol Palin terminaram o noivado

Mas a história também trata da mais ampla questão a respeito de quando o privado se torna público - e como em campanhas disputadas, há pouca escolha a não ser tornar as dificuldades pessoais em vantagem política.

Quando a notícia de que a filha da indicada como vice-presidente Bristol Palin, então com 17 e solteira, estava grávida de cinco meses vazou durante a Convenção Republicana, a campanha presidencial do senador John McCain convenceu muitos dos presentes que os republicanos do país conseguiriam superar isso. Essas coisas acontecem, eles disseram. Isso poderia mostrar simplesmente, sugeriram, que a governadora Palin tem como se relacionar com famílias reais.

As forças McCain-Palin emitiram por si mesmas a notícia e levaram Johnston, então com 18, do  Alasca à convenção em Minnesota. Em uma série de imagens instigantes, McCain abraçou Bristol e tocou o braço do jovem Johnston.

O casal ficou noivo e um casamento deveria acontecer em breve (talvez na Casa Branca). Em uma cultura de "Juno" e Jamie Lynn Spears, a gravidez na adolescência já perdeu parte de seu estigma.

"Isso é o melhor que se pode fazer, transformar a história em uma narrativa que conte o lado positivo ao povo americano", disse Paul Costello, um consultor democrata que foi o porta-voz de Kitty Dukakis quando seu marido, Michael, era o indicado democrata à presidência em 1988 e ela confrontava um vício.

"Infelizmente", ele acrescentou, "quando a campanha termina, o resíduo, o dano colateral, pode ser muito grande".

Depois que McCain-Palin perderam a eleição e os holofotes foram desligados, aparentemente o romance também acabou. O bebê nasceu no final de dezembro e o casamento nunca aconteceu. Apesar de uma alegre declaração de Bristol Palin afirmando que Johnston era um pai "completo", ele confirmou à revista Star que haviam decidido juntos "há algum tempo" pelo fim do relacionamento. Eles então passaram aos ataques públicos, com Bristol emitindo uma declaração sugerindo que ele e sua irmã haviam tentado "lucrar" com o nome Palin.

De Kitty Dukakis a Betty Ford, as famílias de outros políticos viram sua vida se tornar material para os tablóides. Geralmente, quando a campanha ou o mandato termina, as famílias pelo menos conseguem voltar a viver suas vidas privadas. Mas isso parece mais difícil agora que vivemos uma cultura de mídia 24 horas e será um problema para Bristol, cuja mãe ainda é governadora do Alasca e deu sinais de querer continuar na vida política.

Depois de campanhas modernas, segundo Costello, "a narrativa ainda está viva e pode ser comida viva".

Não há como saber como o relacionamento teria sido caso a governadora tivesse sido eleita como vice-presidente. Como a comediante Tina Fey afirmou em uma paródia de Sarah no ano passado: "Eu acredito que um casamento deva ser uma instituição sagrada entre dois adolescentes não dispostos a ele".

Está claro que a maioria das adolescentes grávidas não são casadas quando seus filhos nascem. "O conto de Bristol Palin não é raro", disse Bill Albert, porta-voz da Campanha de Prevenção à Gravidez na Adolescência. Ele disse que pouco menos de 8% das mães adolescentes se casam com o pai da criança em um ano. Aquelas que casam podem enfrentar uma estrada difícil: casamentos adolescentes tem o dobro de chances de não darem certo em relação aqueles nos quais a mulher tem pelo menos 25 anos.

Se a gravidez de Bristol não foi exatamente um problema na campanha do ano passado, alguns eleitores questionaram a competência de Sarah Palin como mãe. Ela havia acabado de se apresentar ao país como alguém que tem cinco filhos, incluindo um bebê com Síndrome de Down; por que, eles questionavam, ela fazia sua família passar por uma campanha tão difícil? Outros diziam que o questionamento era machista.

Alex Castellanos, consultor de mídia republicano, disse que uma pesquisa durante a campanha mostrou que alguns eleitores, especialmente mães trabalhadores, achavam que a governadora estava pagando um alto preço por suas ambições políticas.

"Você espera que um líder político possa oferecer estabilidade e direção em casa se querem oferecer isso ao país", ele disse.

Castellanos disse que a gravidez de Bristol Palin e o rompimento de seu noivado ainda podem prejudicar a percepção dos eleitores caso sua mãe tente outro cargo. "Há um processo pelo qual líderes derrotados passam - você se isola e quando voltar terá aprendido algo", ele disse."Veremos se Sarah Palin aprendeu alguma coisa com isso".

Por KATHARINE Q. SEELYE

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