Fiat quer melhor ética de trabalho em fábrica italiana

Empresa cobra comprometimento de trabalhadores e reflete esforço do governo em melhorar competitividade do país

The New York Times |

Em um país onde carros da Fiat tomam conta das ruas, os italianos há muito adotam um provérbio revelador: como estiver a Fiat, assim está a Itália.

No entanto, esforços da Fiat para tornar seus trabalhadores mais produtivos em uma fábrica ao norte de Nápoles estão testando essa máxima como nunca e podem revelar se os italianos estão dispostos a abraçar o tipo de mudança necessária para que o país saia da ruína financeira e se torne mais competitivo com os países do norte da Europa e do resto do mundo.

Mesmo alguns trabalhadores de Pomigliano, fábrica de menor produtividade da Fiat, queixam-se de maus hábitos arraigados, citando colegas que ligam dizendo estar doentes para receber seu salário enquanto trabalham em outro emprego ou faltam ao trabalho com um atestado médico falso - especialmente quando o time de futebol local está jogando.

Agora, após ter resgatado a Chrysler nos Estados Unidos, Sergio Marchionne da Fiat está pressionando os trabalhadores para que sejam mais dedicados ao seu trabalho, refletindo um esforço maior por parte do governo para melhorar a competitividade da Itália e reduzir sua dívida através de medidas de austeridade.

Muito depende da Itália ser capaz de convencer sua população a mudar seus hábitos de trabalho para melhorar seu futuro financeiro, tanto individualmente quanto como país.

Marchionne, que coordenou uma reviravolta impressionante na Fiat em 2006, tirando a companhia da beira da falência, convidou os funcionários a alterar radicalmente a sua ética de trabalho para competir no mercado global.

Se eles fizerem isso, ele prometeu que irá impedir o fechamento da fábrica e a transferência da produção do carro popular Panda para a Polônia.

"Quanto menos trabalham, mais felizes eles são", observa Vittorio di Giola, dono da Vicky Caffetteria, refúgio favorito dos trabalhadores da Fiat na Viale Alfa Romeo, rua principal de Pomigliano.

Esta opinião foi confirmada por alguns trabalhadores, dirigentes sindicais e até mesmo pelo prefeito da cidade, Raffael Russo.

No entanto, para cada trabalhador que resiste à mudança, muitos outros decidiram que ter um emprego é melhor do que o desemprego.

Depois de meses de tensão, 63% dos trabalhadores votaram em junho para aceitar o plano da Fiat, que penaliza os trabalhadores que abusam de folgas, diminui os intervalos do almoço e proíbe greves durante os períodos de alta demanda.

Por sua vez, a Fiat vai investir mais de 700 milhões de euros (US$ 905 milhões) na fábrica, que funciona 24 horas por dia, seis dias por semana.

Um terceiro turno diário irá dobrar a produção para 280 mil carros anualmente até o próximo verão.

O absentismo caiu de 30% há dois anos para cerca de 3%, disse Crescenzo Auriemma, secretário do sindicato de trabalhadores de empresas automobilísticas da região.

Os gerentes estão mais rigorosos mesmo assim, chegando a enviar um médico às casas dos funcionários que não aparecem para trabalhar.

Por Liz Alderman

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