Feriado público marca retirada dos EUA de cidades iraquianas

BAGDÁ - O Iraque celebra a retirada das tropas americanas de suas cidades com desfiles, fogos e um feriado nacional, na terça-feira, com a proclamação do primeiro-ministro do país sobre a soberania da ocupação americana a um público desconfiado.

The New York Times |

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Iraquianos comemoram com bandeira nacional a
retirada das tropas americanas de áreas urbanas

Mesmo com um carro-bomba fatal e outro ataque estragando o dia ¿ o prazo para a retirada sob um acordo fechado em 1º de janeiro ¿ o primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki aproveitou a ocasião para posicionar a si mesmo como um líder orgulhoso de um país finalmente independente, buscando adiante o próximo marco das eleições parlamentares em janeiro.

Ele não fez menção às tropas americanas no discurso transmitido pela televisão em rede nacional, mesmo que quase 130 mil ainda permaneçam no país. No entanto, a maioria deles se retirou das cidades iraquianas antes do prazo de terça-feira.

Contudo, a excitação envolveu um vazio para muitos iraquianos, que temem que as forças de segurança do país não estejam prontas para se manter sozinhas e aqueles que veem as reivindicações do governo de independência como pretensiosas.

De Basra no sul a Mosul no norte, os iraquianos expressaram ceticismo sobre a proclamação da independência.

Eles não vão se retirar para suas casas, eles ficarão aqui e assim poderão voltar em caso de emergência, disse Samir Alwan, 28, proprietário de um pequeno mercado em Basra. Do meu ponto de vista não é soberania e eu acho que o exército iraquiano é o único que pode proteger o sul do país e que não pode proteger Bagdá e Mosul.

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Oficiais comemoram a retirada em um bairro de Bagdá

Em um discurso nacional, al-Maliki se concentrou em elogiar as tropas iraquianas e as forces de segurança por seu papel na luta contra a insurgência. O governo da união nacional teve sucesso em acabar com uma guerra sectária que ameaça a unidade e soberania do Iraque, disse, como se os EUA não tivessem participação alguma.

O presidente Barack Obama, que concorreu ao cargo com a promessa de acabar com a guerra, marcou a ocasião dando-lhe pouca atenção, declarando-a um importante marco, mesmo com o aviso dos dias difíceis que vêm pela frente.

 Os iraquianos estão certos em tratar este dia como um motivo para celebrar, disse ele.

A retirada não ordenou sua própria aparição presidencial ¿ os anúncios breves de Obama foram dados em uma cerimônia de homenagem a organizadores ¿ um contraste marcante com seu predecessor, que raramente perdia uma oportunidade de celebrar um marco no Iraque.

Enfatizando a insegurança, o homem-bomba no mercado de uma vizinhança curda, ao norte inconstante cidade de Kirkuk matou 33 pessoas quando estava para anoitecer, de acordo com a polícia local. Em Bagdá, o exército americano informou que quatro soldados dos EUA foram mortos em um ataque na segunda-feira, uma evidência da vulnerabilidade das tropas com a retirada.

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Homem assiste do carro desfile da polícia iraquiana na cidade de Bagdá

Os especialistas militares anteciparam mais violência dos próximos dias. O esforço de al-Maliki para financiar o antiamericanismo latente no Iraque e enaltecer as habilidades de suas tropas é uma estratégia arriscada. Se as tropas iraquianas não puderem tomar conta da violência, al-Maliki ficará vulnerável às críticas dos rivais ¿ não apenas se tiver de pedir que os americanos voltem, mas também se fracasser em reforçar a segurança sem eles.

Alguns comandantes americanos disseram que eles recuaram com a insistência de al-Maliki em levar crédito por todos os sucessos na segurança do Iraque, mas também veem a importância de tê-lo e que as tropas iraquianas parecem fortes, especialmente em face às múltiplas facções insurgentes que intentam em desestabilizar o governo.

O general Raymond T. Odiemo, mais alto comandante das tropas EUA no Iraque, deixou de lado o tom desprezível dos marcos públicos dos líderes do país em relação aos americanos, dizendo que al-Maliki o agradeceu pessoalmente, na noite desta segunda, e novamente na terça-feira pelo sacrifício feito pelas tropas americanas.

Eu não ligo para esses comentários negativos de líderes políticos que estão no governo, disse ele em uma coletiva de imprensa na base de operações do exército americano, no Campo Victory. Na minha cabeça, eu francamente não me preocupo com os comentários, porque entendo que estamos trabalhando juntos nisso.

Ele também subestimou as preocupações com a segurança das cidades iraquianas após a retirada da maioria das forças de combate americanas, apontando que quase 130 mil tropas permanecem no país. Ele disse que os militares americanos e iraquianos continuam a cooperar nos assuntos de segurança internos e externos da cidade.

Por ALISSA J. RUBIN


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