Feira em NY lucra com objetos de terceiros

No Brooklyn, vendedores de antiguidades exibem itens comprados de outras pessoas

The New York Times |

Pregado na maçaneta da porta de uma casa de tijolos em Flushing, Queens, está um aviso plastificado do governo aconselhando o proprietário: "Ainda não é tarde demais para que você envie seu formulário do censo!"

Mas, na verdade, já é bastante tarde para que Gertrude Wetterhahn se inscreva no censo. No final de fevereiro, Wetterhahn deixou o casa da Rua 73 e a vida, aos 94 anos de idade.

Agora, às 8h45 de uma fresca manhã de primavera, estranhos fazem fila diante da sua casa de dois andares. Cada pessoa tem uma senha. Todas esperam impacientemente pelas 9h, quando a porta será aberta e os bens materiais de Wetterhahn serão vendidos a estes compradores que avançam tão rápido quando uma coluna de formigas.

O grupo é relativamente pequeno - apenas 25 pessoas - e a venda deve ser modesta para um dos leilões anunciados semanalmente em websites como estatesales.net.

Mas para Peter e Jaroslava Cole a visita será boa, a melhor de um dia que os levou de seu apartamento em Greenpoint, Brooklyn, a um circuito que passou, depois de Flushing, por Rockland, Yonkers e Harlem, em busca de novidades para sua barraca na Feira de Antiguidades do Brooklyn.

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Mulher observa roupas em feira de antiguidades no Brooklyn, em Nova York

Peter Cole é escultor. Sua mulher passa grande parte do seu tempo criando sua filha de oito anos. Quem já visitou a feira do Brooklyn reconhecerá o casal, vendedores de longa data com um gosto tão católico que parece totalmente aleatório.

"Nós não vendemos qualquer coisa, nos ocupamos de quinquilharias pequenas e interessantes", disse Peter Cole, 45, que também trabalha como soldador servindo clientes ricos que não entendem nada de parafusos.

Em um fim de semana comum, os compradores da feira que pararem na barraca do casal Cole encontrarão um banco da década de 50 ou uma bolsa de lona da Hermes com estampa de cachorro ou um bibelô de contas da Nova Guiné ou um penhoar de seda, entre outras coisas.

Eles lucram até 10 vezes o que investem em seus produtos.

Ainda que não seja óbvio como isso pode lhes ganhar a vida, uma vez que grande parte do que eles compram custa menos de US$ 10, eles dizem que perderam dinheiro apenas uma vez na feira do Brooklyn, conseguindo US$ 13 a menos do que os US$ 100 necessários para alugar o espaço para a barraca.

"Parece bastante quando se ganha US$ 100 por dia no trabalho, mas conseguimos tirar US$ 1.000 em uma feira de antiguidades", disse Peter Cole.

Por Guy Trebay

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