Fazer o chefe de refém? Na França, é uma tática trabalhista

PARIS ¿ Quando as negociações para o reforço das operações da Caterpillar (empresa de máquinas agrícolas e industriais) terminaram nesta semana, em Grenoble, na França. Os trabalhadores fizeram o que cada vez mais está se fazendo nesses dias: fazer o chefe de refém. Foi o quarto incidente deste tipo na França, no último mês.

The New York Times |

Nesta semana, Fraçois-Henri Pinault, chefe-executivo da PPR, grupo proprietário da Gucci, foi rendido por um grupo de funcionários, que cercaram seu carro e bloquearam a passagem com latas de lixo.

Em dois incidentes no mês passado, trabalhadores da instalação da 3M mantiveram o chefe como refém por mais de 24 horas em uma ação trabalhista, e trabalhadores de uma instalação da Sony fizeram o chefe de refém por uma noite para conseguir mais benefícios.

Apesar de este não ser um novo método na França, a tática era usada apenas em poucas situações. Mas especialistas nas leis trabalhistas da França dizem que atualmente essa ação é mais esperada, porque a ansiedade e desespero que leva os funcionários a agir de tal forma estão crescendo juntamente com a piora do mercado de trabalho.

A forma tradicional de reagir a uma crise é ocupar o lugar de trabalho, mostrando que é nossa companhia, também, disse Antoine Lyon-Caen, professor de leis trabalhistas ma Universidade de Paris¿Nanterre. Não é inédito o fato de gerentes serem feitos de refém, mas era raro.

Na crista da onda das ações recentes, é a uma percepção de injustiça, com a França enfrentando uma crise econômica, de acordo com Jean Kaspar, ex-mineiro e membro do sindicato que agora faz consultoria de relações de trabalho. De acordo com ele, o governo guardou 26 bilhões de euros (US$ 35 bilhões) para grandes empresas e menos de três bilhões de euros para os consumidores.

As pessoas comuns não entendem como chefes estão recebendo bônus e tratamento de rei enquanto o resto da população está preocupado com seus trabalhos, disse Kaspar. Isso causou certa radicalização na base da sociedade.

Até agora, ninguém foi machucado nos sequestros, termo pelo qual os franceses se referem à ação. Os sindicatos, e a maioria dos franceses, se recusaram a condenar o método, dizendo que é compreensível, senão uma forma de defesa, que pessoas diante da perda de seu sustento enfrentariam os riscos.

Na Caterpillar, os executivos da empresa, incluindo Nicolas Polutnik, chefe-executivo da Caterpilllar France, foram sujeitos a uma noite de músicas de rock revolucionário e ameaças gritadas pelos trabalhadores, disse Eric Amstutz, porta-voz, em Geneva, das operações da Caterpillar na Europa. Os membros do sindicato tomaram a atitude após o anúncio do corte de 700 empregos.

Os executivos foram liberados após o presidente Nicolas Sarkozy prometer se encontrar com os líderes do sindicato e poupar o local.

No caso de Pinault, ele tinha acabado de se encontrar com representantes dos trabalhadores para discutir o reforço de empresas de lojas de móveis e varejistas de eletrônicos. Ele foi resgatado por um tumulto da polícia após agüentar uma hora de abuso verbal.

Os funcionários não agiram sem compaixão. Na Caterpillar, eles soltaram um executivo que estava doente, e na 3M, levaram mexilhões e batatas fritas para o executivo.


Por DAVID JOLLY


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