Fazendeiro holandês aposta em camelos para substituir vacas leiteiras

CROMVOIRT, Holanda - Deixando de lado o ditado que diz que não se pode viver ordenhando camelos, você não pensaria que este é um negócio particularmente difícil. Mas estaria errado.

The New York Times |

Os camelos que pastam neste gramado verde perto de Den Bosch podem parecer felizes. Mas ordenhá-los é outra história - camelos temperamentais cospem e chutam, e as fêmeas dão leite apenas quando os filhotes estão por perto.

"Você tem que lhes mostrar respeito", diz Frank Smits, o proprietário da fazenda de camelos. "Eles são muito mais teimosos do que as vacas".

Smits, atualmente o único fazendeiro europeu com permissão para vender leite de camelo, é tão teimoso quanto seus camelos. Desde que começou sua fazenda em Cromvoirt em 2006, ele entrou em conflito com defensores dos direitos dos animais, autoridades agrícolas holandesas e até mesmo a União Europeia, que proíbe a importação de camelos.

Smits, 26, viu um mercado inexplorado para o leite de camelo no crescente número de imigrantes da Somália e Marrocos, onde o produto é popular por suas supostas propriedades curativas. O leite de Smits é vendido a cerca de US$ 15 por um quarto de litro em algumas mercearias islâmicas e lojas de alimentos saudáveis em toda a Holanda, com o restante exportado para comunidades imigrantes na Bélgica, Alemanha e Inglaterra.

Em calças jeans sujas e botas, Smits parece o perfeito modelo de um jovem fazendeiro. Mas ele estudou marketing e agricultura na faculdade. E há uma coisa ele quer que todo o mundo saiba: ele não está nisto pelo dinheiro.

"Trabalhar como caixa em um supermercado pagaria melhor", ele revela. Os camelos custam cerca de US$ 11 mil cada, ele diz, e um camelo só produz em torno de quatro litros de leite por dia.

Sua motivação foi um relatório de 2006 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação que têm promovido o leite de camelo não apenas por seu valor nutricional mas como uma fonte de renda, especialmente para fazendeiros nômades que têm ordenhado camelos há milênios. O relatório disse que o mercado para o leite de camelo pode ser de até US$ 10 bilhões.

Mas conseguir os camelos não foi fácil. A União Européia não permite sua importação. Assim, Smits teve que encontrar os animais dentro do bloco econômico. Ele conseguiu localizá-los nas Ilhas Canárias, que ficam ao longo da costa da África e pertencem à Espanha, membro da união. Smits transportou três fêmeas grávidas e logo começou a ordenhá-las em uma pequena propriedade perto de sua casa em Den Bosch.

Qualquer propriedade curativa que o leite de camelo possa ter supostamente desaparece no processo de pasteurização, uma convicção que limitou a distribuição do produto - o leite não pasteurizado é proibido na Europa e nos Estados Unidos.

Mas Smits conseguiu obter permissão para produzir o leite de camelo não pasteurizado, que faz com a ajuda de uma máquina automática que desenvolveu com uma fabricante de equipamentos para a fabricação de laticínios. Alguns especialistas estimam que a produção diária com o equipamento e métodos mais modernos pode subir para cerca de 19 litros.

Expandir os mercados também tem sido difícil, com a proibição ao leite não pasteurizado ou ao próprio leite de camelo, como é o caso nos Estados Unidos.

Há vários estudos em andamento a respeito dos benefícios do leite de camelo para a saúde. Na Universidade de Wageningen, por exemplo, os pesquisadores investigam se o leite de camelo pode ajudar pessoas com diabetes. Eles ainda não chegaram a resultados concretos.

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