Ladrões invadem estabelecimentos desesperados em busca de analgésicos opióides ou outras drogas para vender e sustentar vícios

As placas colocadas em toda farmácia de Chet Hibbard contêm um aviso importante: Nós não temos OxyContin.

Hibbard parou de vender o analgésico altamente viciante em julho do ano passado, quando dois assaltantes mascarados exigiram o produto, fazendo ameaças com uma faca, enquanto os demais clientes observavam chocados. Foi um dos muitos assaltos à mão armada a farmácias no Estado americano do Maine em 2010, um aumento acentuado que abalou farmacêuticos e colocou a polícia em alerta máximo.

Chet Hibbard resolveu colocar um aviso logo na entrada de sua farmácia
The New York Times
Chet Hibbard resolveu colocar um aviso logo na entrada de sua farmácia
"Eu quero que as pessoas saibam antes mesmo de chegar à porta que não temos isso", disse Hibbard sobre o OxyContin, que as autoridades dizem ser o alvo mais comum dos roubos a farmácia. "Além de contratar um guarda armado para estar aqui 24 horas, eu não sei mais o que fazer".

O problema do Maine é especialmente gritante, mas não é o único Estado a lidar com roubos a farmácias - um dos efeitos mais chocantes da epidemia do abuso de drogas de prescrição, que fez muitas drogarias adotarem algumas táticas de prevenção a roubo usadas por alvos mais tradicionais: os bancos.

Em pelo menos um caso, um minúsculo dispositivo de rastreamento colocado em um pacote levou a polícia ao ladrão depois de um assalto.

Mais de 1,8 mil roubos a farmácia aconteceram em todo o país nos últimos três anos, geralmente conduzidos por jovens que procuram analgésicos opióides e outras drogas para vender ou alimentar seus próprios vícios. Os alvos mais comuns são a oxicodona (o ingrediente principal do OxyContin), a hidrocodona (o ingrediente principal do Vicodin) e o Xanax.

Desespero

Os ladrões são afobados e desesperados. Em Rockland, Maine, um ladrão brandia um facão quando saltou sobre o balcão da farmácia para pegar o oxicodona, engolindo algumas pílulas antes de fugir.

Em Satellite Beach, na Flórida, um ladrão ameaçou um farmacêutico com uma furadeira sem fio na semana passada, e em North Highlands, Califórnia, um assalto no verão passado causou um tiroteio que deixou um trabalhador da farmácia morto.

A onda de crimes tem estimulado os farmacêuticos a aumentar as medidas de segurança e colocar em vigor algumas outras, impensáveis no passado. Muitos têm atualizado suas câmeras de vigilância, alguns têm instalado vidros à prova de balas e balcões altos que impedem os supostos ladrões de pular para dentro do setor de remédios, dando a essas farmácias a estética de uma loja de bebidas.

Em Tulsa, Oklahoma, onde houve um aumento acentuado dos roubos a farmácias no ano passado, pelo menos um estabelecimento passou a exigir que os clientes se identifiquem antes de abrir a porta.

*Por Abby Goodnough

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