Famílias de veteranos encontram souvenires de guerra

Granadas e munições estão entre as recordações que os combatentes acabam trazendo para casa

The New York Times |

Muitos veteranos da Segunda Guerra Mundial, da Guerra da Coreia e do Vietnã trouxeram para casa contos de heroísmo, bravura e, sem que seus entes queridos saibam, lembranças possivelmente explosivas.

A polícia de Bangor, Maine, recebeu um telefonema este mês: uma mulher encontrou uma granada de mão em uma caixa de mudança, onde provavelmente havia permanecido por décadas. Ela acreditava que o artefato pertencia ao seu falecido marido, que servira na Guerra do Vietnã e, provavelmente, trouxera como lembrança para casa. Um esquadrão antibombas foi chamado para detoná-la.

“Ex-combatentes estão morrendo porque estão com 80 ou 90 anos, e agora, infelizmente, seus familiares não sabem que eles têm essas lembranças de guerra”, disse o sargento Andrew Parsons, da unidade de explosivos da Polícia do Estado de New Hampshire. “Quando encontram a caixa de recordações do avô e tiram tudo dela se surpreendem ao encontrar uma granada”, exemplificou.

Telefonemas a respeito de munição velha se tornaram uma ocorrência comum nas delegacias de polícia nos últimos anos, disseram as autoridades, especialmente em áreas com um grande número de veteranos militares.

Alguns anos atrás, alguém ligou para o Corpo de Bombeiros de Beverly, Massachusetts, depois de perceber que o encosto de porta de um amigo era uma bomba de canhão. Ela estava ativa e um esquadrão antibombas foi chamado.

Pesca

Em abril, uma empresa de mariscos em New Bedford, Massachusetts, pescou mais de 100 granadas do chão do oceano.

“Está debaixo do nariz das pessoas até que elas entrem em contato com isso, e quando o fazem é preciso adotar uma abordagem muito metódica de mitigação”, disse Stephen D. Coan, marechal do Estado de Massachusetts.

Os telefonemas são alarmantes porque as munições podem se tornar mais voláteis e imprevisíveis com o tempo. As pessoas são encorajadas a deixar os explosivos onde estão e chamar a polícia. Mas muitos não o fazem.

“As pessoas chegam com caixas enormes de munição e colocam-nas no balcão”, disse o sargento Paul Edwards, do Departamento de Polícia de Bangor. “Tudo verde e começando a apodrecer”.

Esquadrões de bomba locais e estaduais geralmente controlam a situação e não são obrigados a notificar os militares, disse o major Robert J. Moore, porta-voz do Exército. Segundo ele, o Exército atendeu a 250 incidentes com munições no ano passado.

Darrel Kandil do Departamento do Xerife do condado de Hillsborough, na Flórida, disse que munições são encontradas com mais frequência na primavera e no verão, quando as pessoas fazem uma grande faxina em suas casas. “Os jovens que vão para a guerra sempre querem trazer alguma lembrança para casa”, concluiu.

*Por Katie Zezima

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