Dos poucos elevadores que possui, capital afegã tem maioria quebrados; novos começaram a chegar recentemente

A longa guerra que toma conta deste país teve muitos altos e baixos, mas esse não é o caso dos elevadores do país – pelo menos até recentemente.

Poucas capitais do mundo são tão mal equipadas com elevadores verticais. Os elevadores são quase inexistentes em edifícios de dois ou três andares e raros até mesmo em estruturas de cinco ou mais andares.

Clientes do Cinema Pamir, em Cabul, andam de escadas pelos 14 andares do prédio de lojas com elevador quebrado
The new York Times
Clientes do Cinema Pamir, em Cabul, andam de escadas pelos 14 andares do prédio de lojas com elevador quebrado
E quando há elevadores, eles geralmente estão quebrados, mesmo no prédio de cinco andares que abriga o gabinete do presidente, o Conselho de Ministros.

A falta de elevadores não era um problema quando grande parte de Cabul era um aglomerado de barracos de tijolos de barro, que mal chegavam a ser maiores do que uma pessoa. Agora que algo semelhante a um horizonte elevado está surgindo na cidade, financiado por uma explosão multibilionária de reconstrução, portas de elevadores estão finalmente começando a se abrir e sua campainha toca para marcar a chegada aos andares.

Entre aqueles que usam o meio de transporte está Ahmad Wali, cuja empresa, a Ariana de Segurança, instalou 37 elevadores em Cabul em seu primeiro ano no negócio. Embora a sua empresa originalmente trabalhe com sistemas de segurança, Wali se inspirou em todos os elevadores quebrados que viu pela cidade – nos poucos prédios equipados com eles. "Eu pensei que esse seria um bom negócio", disse ele, embora tenha provado ser uma batalha difícil.

Em um país entre os últimos do mundo a se modernizar, a própria ideia de elevadores parece estranha.

Em pashto, a língua mais falada do país, não existe sequer uma palavra para designar um elevador, a maioria das pessoas diz "lieft", uma adaptação do termo em inglês. Em dari, a segunda língua local, ficou assim: "bala barenda", que pode ser traduzido como "coisa que levanta pessoas".

Na opinião de Wali, o maior impedimento para os elevadores não são os apagões crônicos, mas sim a atitude do público. "Mesmo quando há elevadores, as pessoas não os usam pois têm medo deles", disse Wali.

*Por Rod Nordland

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.