Falsos seqüestros por telefone espalham medo no México

Cidade do México ¿ A ligação começa com o choro de uma criança angustiada gritando e chamando pelos pais: ¿Mãe! Pai!¿. O choro infantil então é rapidamente substituído por uma voz grave masculina, que imediatamente remete à idéia de ¿negócios¿.

The New York Times |

Estamos com seu filho, ele diz em espanhol, e assim anuncia uma lista de exigências que podem incluir dinheiro ou jóias, deixados em uma esquina específica da cidade ou através de um depósito bancário.

Na realidade, os pequenos Pablo ou Teresa estão seguros em sua escola, e não amarrados a uma cadeira ou presos no porta-malas de um taxi clandestino. Contudo, quando o telefone dispara, toda essa realidade parece confusa para os pais.

Este é o chamado seqüestro virtual, nova onda de crime que se espalha pelo México, gerando tensões em um país já aterrorizado pela violência da vida real dos últimos anos.

A nova medida de segurança para lidar com o problema dos seqüestros, os quais na realidade não possuem verdadeiros reféns, já recebeu mais de 30 mil ligações desde o último mês de dezembro até o final de fevereiro, segundo Joel Ortega, chefe de polícia da Cidade do México. Ainda de acordo com Ortega, oito pessoas foram presas e mais de 3 mil números de telefones já foram identificados como os utilizados pelos chantagistas.

No entanto, identificar estes números de telefone ¿ listados agora no site do governo ¿ não foi o suficiente para diminuir o número dos trotes falsos. A grande maioria das ligações vem de celulares roubados, segundo autoridades mexicanas. Além disso, acredita-se que muitos dos chantagistas façam as ligações de dentro das penitenciárias.

Em um dos últimos falsos seqüestros feitos até agora, três suspeitos eram irmãos, com idades de 19, 31 e 34 anos, pegos em flagrante por agentes policiais extorquindo dinheiro de uma vítima. Os dois irmãos mais novos culparam o mais velho, que já esteve preso durante anos, de forçá-los a realizar os golpes.

Apesar das linhas de emergência do governo, oficiais também pediram às companhias de celulares para saber mais sobre seus clientes e ajudar com as investigações. Mas as tentativas de controle do uso de celulares de dentro das prisões ainda não deram resultado. Os aparelhos não são permitidos dentro das penitenciárias, mas presos freqüentemente pagam propina aos policiais para que estes finjam que nada aconteceu.

-Marc Lacey


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