Falhas permitiram embarque de terrorista a Dubai

FBI perdeu rastro de suspeito e companhia aérea ignorou pedido para que incluísse novo nome em lista de pessoas proibidas de voar

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Secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anuncia prisão de Faisal Shahzad, cuja imagem é vista na TV
Por que Faisal Shahzad conseguiu embarcar em um voo para Dubai cerca de 24 horas após os investigadores da tentativa de ataque na Times Square, em Nova York, descobrirem sua ligação com o caso?

Embora Shahzad tenha sido detido antes da decolagem, ocorreram pelo menos duas importantes falhas de segurança por parte do governo e da companhia aérea que lhe permitiram quase fugir, afirmaram autoridades do Departamento de Segurança Interna, da Agência Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e de outros órgãos.

Em primeiro lugar, a equipe de vigilância do FBI que havia encontrado Shahzad em Connecticut perdeu seu rastro - não se sabe por quanto tempo - antes de ele seguir para o aeroporto internacional John F. Kennedy em Nova York, explicaram as autoridades. Como resultado, os investigadores não sabiam que ele pretendia sair do país até que a lista de passageiros fosse verificada na agência de Proteção de Fronteira e Alfândega minutos antes da decolagem.

Além disso, a companhia aérea Emirates deixou de atender uma mensagem eletrônica enviada às companhias aéreas na segunda-feira ao meio-dia para que verificassem um novo nome na lista de pessoas que não têm autorização para voar, disse uma autoridade. Isso representou uma oportunidade perdida para prendê-lo quando fez sua reserva e pagou por sua passagem horas antes da decolagem.

Autoridades de alto escalão do governo Obama e alguns membros do Congresso elogiaram na terça-feira a forma como o governo lidou com a investigação, notando que Shahzad foi identificado, seguido e detido antes que fugisse.

Mas o prefeito Michael R. Bloomberg, afirmando estar relutante em criticar os responsáveis pela segurança nos aeroportos, acrescentou: "Claramente o rapaz chegou ao avião e isso não deveria ter acontecido. Nós tivemos sorte."

A senadora Susan M. Collins, republicana do Maine, disse ter aplaudido o trabalho dos agentes da lei em resolver rapidamente o caso. Ainda assim, ela acrescentou: "Uma questão crucial para mim é como o suspeito conseguiu embarcar no avião. Parece que houve uma assustadora falha de segurança entre o momento que descobriram seu nome e aquele em que ele embarcou."

Em uma coletiva de imprensa em Washington, o secretário de Justiça Eric H. Holder disse que, apesar da falha na vigilância física, ele nunca duvidou de que Shahzad seria capturado. "Estive aqui ontem o dia todo e grande parte da noite e sabia como estava o andamento da busca", disse Holder. "Nunca tive medo de perdê-lo."

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Cópia do visto de estudante de Shahzad foi encontrado no lixo do lado de fora de sua casa em Connecticut

Janet Napolitano, secretária de Segurança Nacional, qualificou a captura do suposto terrorista de "um grande esforço em equipe". E acrescentou: "A aplicação da lei neste caso foi verdadeiramente exemplar."

Enquanto as autoridades enfatizaram o sucesso do desfecho da busca, um relato mais detalhado em entrevistas com oficiais que falaram sobre o andamento do inquérito, geralmente em anonimato, deram um panorama mais amplo do caso.

Na noite de domingo, cerca de 24 horas depois que o Pathfinder foi estacionado em uma movimentada rua de Manhattan, os investigadores identificaram Shahzad como o comprador do carro. Embora o número de identificação do veículo tinha sido retirado do porta-luvas, um detetive encontrou uma duplicata no bloco do motor.

Mas àquela altura, segundo os oficiais, eles não tinham certeza do envolvimento de Shahzad ou evidências para prendê-lo e acusá-lo do crime. Em vez disso, começaram uma busca pelo suspeito e agentes do FBI conseguiram localizá-lo em Bridgeport, Connecticut, ainda que não em sua casa, e passaram a segui-lo.

Exatamente quando ele foi localizado e o perderam de vista permaneceu incerto na noite de terça-feira. Paul Bresson, porta-voz do FBI, recusou-se a comentar o período de vigilância.

Mas, por volta das 12h30 de segunda-feira, mais certos de que Shahzad era um suspeito, os investigadores pediram que o Departamento de Segurança Interna o colocá-se na lista de pessoas sem autorização a voar, o que foi feito imediatamente.

Três minutos depois, o departamento enviou uma mensagem às companhias aéreas, incluindo a Emirates, para que verificassem a lista atualizada. Por volta das 16h30, mais informação foi acrescentada à lista, incluindo o número do passaporte de Shahzad, explicaram as autoridades.

Funcionários da Emirates evidentemente não verificaram a lista, porque às 18h30 Shahzad ligou para a companhia aérea e foi autorizado a reservar um voo para o Paquistão via Dubai, disseram os oficiais. Às 19h35, ele chegou ao aeroporto e pagou por sua passagem em dinheiro e recebeu seu cartão de embarque.

*Por Scott Shane

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