Faculdades comunitárias dos EUA fazem cortes em acesso

Com financiamento estatal reduzido em quase todo o país, estas faculdades não conseguem atender a demanda de estudantes

The New York Times |

WALNUT, Califórnia - Quando Giovanny Villalta tentou se inscrever para as aulas do semestre de inverno da Faculdade Mount San Antonio, ele deu de frente com uma parede. "Recebi um período de matrícula tardio e quando pude me registrar todas as salas estavam cheias", disse Villalta. "Biologia cheia. Anatomia cheia. Física cheia. Psicologia cheia. História da Ásia cheia. Qualquer aula de história que iria contar para a transferência para um campus universitário de quatro anos cheia."

Então Villalta, que havia sido atleta no Ensino Médio, acabou optando pelos esportes - e nada mais. "Foi muito frustrante", disse. "Você sente que está perdendo tempo e a sua vida está passando."

Nesta economia, as faculdades comunitárias são amplamente vistas como a solução para muitos problemas. Trabalhadores desempregados estão se registrando em massa em busca da educação que possa ajudá-los a entrar de novo no mercado.

Pais em dificuldades, assustados com o custo das universidades de quatro anos, estão incentivando seus filhos a passar dois anos na faculdade comunitária.

O presidente Barack Obama anunciou uma iniciativa de graduação americana para produzir formandos em mais de cinco milhões de faculdades comunitárias até 2020. Mas para os estudantes e professores das faculdades sobrecarregadas, estes são dificilmente os melhores dos tempos.

Com o financiamento estatal reduzido em quase toda a parte, muitas instituições têm de fazer cortes tão profundos em suas ofertas de cursos e no seu corpo docente que não conseguem lidar com o fluxo de estudantes.

Em algumas partes do país, o problema de orçamento é tão grave que todo o conceito das faculdades comunitárias como instituições de acesso livre - onde qualquer pessoa, com qualquer nível educacional, pode se inscrever em qualquer momento de sua vida - está se tornando mais uma aspiração do que uma realidade.

Por causa dos cortes orçamentais, as faculdades comunitárias da Califórnia, o maior sistema de ensino superior no país, matricularam 21 mil alunos a menos no ano letivo de 2009/10 do que no ano anterior.

"Alguns distritos relataram o afastamento de cerca de metade dos novos alunos que tentaram se inscrever para o ano acadêmico de 2009/10", afirmou Jack Scott, chanceler das faculdades comunitárias da Califórnia.

Mesmo em tempos abastados, as taxas de conclusão em faculdades comunitárias são incrivelmente baixas, em parte porque muitos alunos têm empregos e frequentam as aulas apenas em período parcial.

"No total, apenas cerca de um quarto dos alunos de faculdades comunitárias completa a sua licenciatura em seis anos", disse Martha J. Kanter, sub-secretária do Departamento Federal da Educação e ex-presidente de uma faculdade comunitária.

Além disso, alguns alunos precisam de cursos de extensão antes que possam iniciar os trabalhos de nível universitário, prolongando ainda mais o seu curso de estudo.

Recentemente, grupos como a Fundação Bill e Melinda Gates e a Lumina têm injetado dinheiro em faculdades comunitárias para aumentar as taxas de conclusão, em parte melhorando a educação de reparação.

Em quase todos os lugares, classes de anatomia e fisiologia, e outras exigidas para estudantes das profissões de saúde, estão quase completamente lotadas. E a admissão aos programas de saúde pode levar anos.

* Por Tamar Lewin

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