Facebook responde a acusações sobre privacidade

Rede de relacionamentos enfrenta protestos por divulgar informações dos usuários

The New York Times |

O site de relacionamentos Facebook construiu sua base de quase 500 milhões de usuários com a ideia de que é um local para as pessoas se conectarem e publicarem suas preferências, fotografias e atividades para um círculo de amigos que optaram por definir. Em troca, o Facebook usa essa informação para mostrar aos usuários anúncios personalizados.

Mas o Facebook se tornou o foco de um debate cada vez mais acalorado sobre se realmente está mantendo sua parte do acordo e dando aos usuários uma forma fácil, coerente e direta de determinar seus limites. A companhia tem revisado seus controles de privacidade regularmente, dificultando seu acesso e modificando o significado da vida privada. Abandonar o Facebook para sempre é uma tarefa complicada.

Essas preocupações são legítimas. Após protestos do público, o Facebook decidiu lidar com as reclamações e rever sua política de privacidade.

No mês passado, a empresa causou furor entre defensores da privacidade e estimulou dúvidas entre legisladores quando redefiniu muitos pontos nos perfis dos usuários - incluindo amigos, cidade atual e emprego, sua escola, interesses e websites que gostam - como informação pública, amplamente visíveis em páginas sobre o assunto e acessíveis por meio de aplicativos existentes no próprio Facebook, não se importando se os usuários desejavam manter essa informação no âmbito privado.

O Facebook também iniciou um programa permitindo que websites tivessem acesso a informações públicas de usuários que usaram o botão "curtir" e "compartilhar" com parceiros corporativos como Yelp e Pandora, para permitir que personalizassem seus serviços de acordo com o gosto do usuário. Os usuários podem optar por não informar suas preferências, mas o processo não é simples.

Na segunda-feira, o chefe executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou em um editorial no jornal The Washington Post que ao longo dos próximos meses a companhia "acrescentará controles de privacidade mais fáceis de usar" e "dará ao usuário uma forma mais fácil de desligar qualquer serviço de terceiros". A empresa acrescentou que diminuirá a quantidade de informações consideradas públicas desde o início. Essa seria a decisão certa para uma companhia que se tornou uma grande força na forma como as pessoas se comunicam online.

No ano passado, após outra reação negativa dos consumidores sobre o uso de sua informação privada e os termos de serviço, o Facebook apresentou um conjunto de princípios que incluía: "As pessoas devem ter liberdade para decidir com quem querem compartilhar suas informações, bem como estabelecer controles de privacidade para proteger essas escolhas." Seria bom que o Facebook respeitasse essa regra.

Na verdade, o Facebook deveria se comprometer a dar aos usuários o controle total sobre o uso e divulgação de seus dados. Isso significaria pedir permissão cada vez que pretende utilizar a informação para uma nova finalidade. Também significa dar aos usuários - de forma simples e intuitiva - a informação de que necessitam para decidir quem pode ver os seus dados e como essas informações podem ser utilizadas.

A existência do Facebook depende das pessoas optarem por compartilhar informações sobre suas vidas. O site de relacionamentos deveria confiar que os usuários que quiserem compartilhar tudo farão isso e não forçar aqueles que não querem.

*Editorial

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