Facebook abre comitê para fazer doações a campanhas nos EUA

Empresas de mídias sociais aumentam esforços para ganhar maior participação no cenário político americano

iG São Paulo |

O Facebook quer mais amigos e está disposto a pagar por eles. A empresa de mídia social do Vale do Silício formou pela primeira vez um antiquado Comitê de Ação Política (PAC, na sigla em inglês) e irá usá-lo para distribuir dinheiro para os candidatos nas próximas eleições. Essa é apenas uma indicação de como as empresas de mídia social devem participar do cenário político em uma época em que ganham importância crescente nas campanhas.

"O FB PAC dará aos nossos funcionários uma forma de fazer sua voz ser ouvida no processo político, através do apoio a candidatos que compartilham nossos objetivos de promover o valor da inovação para a nossa economia e dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado", disse um porta-voz da companhia.

AP
Obama responde perguntas em evento na sede do Facebook, enquanto é observado pelo fundador do site, Mark Zuckerberg (20/04)

A medida acontece conforme empresas de tecnologia como o Facebook agem rapidamente para aumentar sua influência em Washington em meio a debates legislativos cada vez mais complexos sobre patentes, monopólio e preocupações sobre a privacidade dos usuários.

Além disso, reflete um novo desejo entre os altos executivos do Google, Facebook, LinkedIn e outras empresas de utilizar sua tecnologia para fazer parte do processo político.

O Google patrocinou um debate presidencial republicano junto com a Fox News na semana passada. Na segunda-feira, o Facebook realizou um evento com republicanos da Câmara, horas depois do LinkedIn realizar uma reunião semelhante com o presidente Barack Obama.

Executivos do Facebook se recusaram a oferecer mais detalhes sobre o PAC ou dizer para quais disputas a comissão fará contribuições. A empresa confirmou que o PAC foi implementado na segunda-feira e depois foi divulgado que havia registrado os domínios de internet Fbpac.org e Fbpac.us.

Conforme cresce, o Facebook tem aumentado sua presença em Washington. A empresa contratou seu primeiro funcionário no Distrito de Columbia em 2007, e hoje seu escritório na capital já tem mais de uma dúzia de funcionários, incluindo quatro lobistas federais registrados. O montante gasto pela empresa para pressionar o Congresso também tem crescido.

"Esse aumento representa nossos esforços contínuos para explicar como funcionam nossos serviços, bem como as ações importantes que tomamos para proteger os usuários e promover o valor da inovação para a nossa economia", disse Andrew Noyes, um porta-voz do Facebook.

Outras empresas também estão aumentando sua presença na capital conforme a concorrência por domínio de mercado se volta cada vez mais para disputas legislativas.

De acordo com documentos apresentados em julho, tanto o Facebook quanto o Google gastaram mais dinheiro em lobbies no segundo trimestre do que nunca anteriormente, outro sinal de que as duas gigantes da tecnologia estão preocupadas em conseguir a atenção de Washington. O Google aumentou seus gastos com lobistas para US$ 2,06 milhões no segundo trimestre, um valor muito acima dos US$1,48 milhão gastos no primeiro trimestre.

Os gastos do Facebook com lobby, embora menores, aumentou para de US$ 230 mil no primeiro trimestre para US$ 320 mil no segundo. A empresa gastou US$ 55 mil até agora neste ano, de acordo com uma análise do Center for Responsive Politics.

O Google abriu seu escritório em Washington em 2006, mesmo ano em que iniciou sua própria PAC. Naquele ano, o comitê da empresa distribuiu US$ 36.984, de acordo com o OpenSecrets.Org, que monitora gastos de campanha. Em 2010, o PAC distribuiu US$ 345 mil para campanhas do Congresso.

O escritório do Google em Washington também cresceu. Ele tem 11 lobistas registrados, bem como engenheiros, representantes de vendas e funcionários que trabalham com os clientes da empresa, de acordo com um porta-voz.

Na semana passada, Eric Schmidt, presidente do conselho do Google e ex-Executivo-Chefe da empresa, testemunhou perante uma subcomissão do Comitê Judiciário do Senado sobre a questão da concorrência.

Schmidt disse ao comitê que o Google está na "área" de um monopólio, mas está empenhado em feroz concorrência com outras empresas.

Como o Google, o Facebook enfrenta crescentes questões de parlamentares sobre o efeito de suas práticas em seus clientes.

Em maio de 2010, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, escreveu um artigo no The Washington Post no qual respondia às acusações de que a empresa agiu com descuido com os dados dos usuários e que tornou muito complicado para as pessoas protegerem sua privacidade.

"A maior mensagem que temos ouvido recentemente é que as pessoas querem um controle mais fácil sobre suas informações", escreveu Zuckerberg. "Para simplificar, muitos de vocês achavam nossos controles muito complexos".

Por Michael D. Shear e Jennifer Preston

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