Fábricas chinesas competem para atrair trabalhadores

Empresas disputam empregados e tentam impedir que funcionários experientes aceitem ofertas mais atraentes

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Se Wang Jinyan, uma trabalhadora de fábrica desempregada com formação no ensino médio, tivesse um currículo, ele poderia começar assim: "Objetivo: Em busca de uma posição bem paga, de ritmo de trabalho lento, em linha de montagem de uma fábrica com ar-condicionado e domingos de folga, internet sem fio e máquina de lavar no dormitório. Chefe amigável é uma vantagem".

Ao passar por uma série de recrutadores em Zhongshan, megalópole manufatureira em uma tarde recente, Wang, 25 anos, não tinha pressa de encontrar um emprego.

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Jovens preenchem fichas em posto onde fábricas recrutam trabalhadores em Zhongshan, China

Uma fábrica de roupas íntimas oferecia refeições subsidiadas e exposições das criações dos trabalhadores. A fabricante de aquecedores elétricos prometia uma jornada de sete horas e meia.

"Se você for boa, pode trabalhar no controle de qualidade e não tem que ficar o dia todo", se vangloriava uma mulher que anunciava empregos em uma fábrica de sapatos.

"Eles sempre fazem esses empregos soarem melhor do que são", disse Wang. "Além disso, eu não faço sapatos. Não suporto o cheiro de cola".

Trabalhadores assertivos e sangue-frio como Wang se tornaram um desafio para os titãs industriais do Delta do Rio Pearl, que antes preenchiam suas fábricas com um fluxo interminável de trabalhadores flexíveis vindos da região rural da China.

Nos últimos meses, com a retomada das exportações do país e muitos imigrantes encontrando empregos mais perto de casa, o equilíbrio de poder em lugares como Zhongshan mudou, forçando os empregadores a competir por novos trabalhadores - e a tentar impedir que os mais experientes abandonem suas empresas em busca de ofertas mais atraentes.

A escassez encorajou os trabalhadores e inspirou uma onda de greves em torno de Zhongshan, que paralisaram as operações chinesas da Honda no mês passado.

A agitação espalhou-se para a cidade de Tianjin, onde grevistas paralisaram brevemente a produção em uma fábrica de automóveis Toyota e uma fábrica japonesa de equipamentos eletrônicos.

Em Zhongshan, muitas fábricas estão operando com cerca de 15% a 20% de suas vagas em aberto, obrigando alguns chefes a cruzar as ruas em suas BMWs e Mercedes em uma busca desesperada para a contratação durante um período de crise.

A outra nova realidade, talvez mais difícil de quantificar, é esta: jovens trabalhadores de fábricas chinesas, que cresceram em um país com expectativas cada vez mais altas, estão menos dispostos a trabalhar duro durante longas horas como autômatos obedientes por salários espantosamente baixos.

Um dos fatores que causaram a expansão da consciência dos trabalhadores é um aumento surpreendente da educação. No ano passado, quase 8,4 milhão de alunos se formaram no ensino médio, cinco milhões a mais que em 2001.

O resultado disso é que cada vez maios os jovens trabalhadores são ambiciosos, otimistas e mais conscientes dos seus direitos, disse Lin Yanling, especialista em trabalho do Instituto de Relações Industriais da China.

Por Andrew Jacobs

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