Extremista islâmico cita artigos ocidentais como prova de sua influência

BEIRUTE, Líbano - Ele foi o mentor de alguns dos terroristas mais brutais do planeta. Mas Abu Muhammad Al-Maqdisi, um proeminente clérigo e teórico da jihad que vive na Jordânia, cansou de ouvir jovens extremistas o acusarem de ser mole.

The New York Times |

Assim, em uma publicação recente na internet, Maqdisi defendeu suas credenciais de linha dura invocando uma autoridade maior: o Centro de Combate ao Terrorismo de West Point.

"Os inimigos me dão crédito", escreveu Maqdisi, ao direcionar seus leitores a um artigo recente de Joas Wagemakers, um estudioso holandês, e ao "Atlas da Ideologia Militante", ambos publicados pelo centro. Os dois identificam Maqdisi como um perigoso e influente jihadista, ele afirmou.

Bem como dois artigos de colunistas liberais árabes, acrescentou o orgulho Maqdisi, incluindo um que se refere a ele como o "sheik da violência" e "a cabeça da serpente".

Não é uma novidade que extremistas islâmicos citem relatórios anti-terroristas ocidentais. Ayman Al-Zawahri, vice de Osama Bin Laden, falou duas vezes em suas declarações gravadas sobre "Roubando o Manual da Al-Qaeda", um artigo de 2004 também publicado pelo centro. Mas recentemente Maqdisi levou este fenômeno a um novo patamar, reclamando amargamente que analistas seculares ocidentais geralmente o entendem melhor do que muitos em sua própria comunidade.

"Eu estou surpreso em ver o baixo nível de seu pensamento", escreveu Maqdisi sobre seus críticos, "e como os inimigos da religião nos analisam e entendem melhor do que nós mesmos".

A reclamação é testemunho da crescente comunidade de observadores ocidentais da jihad, que monitoram e debatem cada nova declaração terrorista online.

Uma nova geração de jihadistas, muitos dos quais são menos educados e respeitosos em relação à autoridade do que seus antecessores, começou a se incomodar com Maqdisi. Ele acredita que a tática de homens-bomba é legítima mas chegou a dizer que não deve ser usada indiscriminadamente e falou contra massacres sectários realizados por Al-Zarqawi e outros no Iraque. Por isso, ele é acusado de dar as costas à jihad.

De certa forma, Maqdisi não pode reclamar, porque ele fez o mesmo que os clérigos sênior fizeram quando ele era mais jovem.

"Há muitas décadas existe uma dinâmica utilizada na comunidade sunita radical na qual cada nova geração se torna menos educada e respeitosa, mais radical e violenta do que a anterior", disse Bernard Haykel, professor de estudos do Oriente Médio em Princeton.

Na verdade, alguns especialistas ocidentais em anti-terrorismo aproveitaram esta tendência e a aclamaram como prova de que a Al-Qaeda e grupos afiliados irão destruir a si mesmos. Ainda não se sabe se Maqdisi irá usar estas teorias ocidentais para defender suas próprias ações.



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