Ex-senhor da guerra mantém segurança no Afeganistão

Liderança da governador conquista popularidade ao garantir desenvolvimento e segurança na Província de Balkh, no norte de país

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Santuário de Hazrat Ali, ou Mesquita Azul, em Mazar-I-Sharif, no Afeganistão
Em um país ainda dominado pela guerra, as famílias que fazem piquenique no santuário azul da praça central de Mazar-I-Sharif, no Afeganistão, são talvez o sinal mais evidente de que essa cidade do norte se distinguiu como um dos lugares mais seguros da região.

Naturalmente, o fato de Mazar-I-Sharif estar localizada longe da fronteira com o Paquistão e do coração da insurgência Taleban no sudeste do país também ajuda. Mas há outra coisa que ressalta Mazar-I-Sharif, quase todos concordam, e é a liderança do governador da Província de Balkh, Atta Muhammad Noor.

Alguns veem Noor, de 46 anos, antigo comandante mujahid (combatente) da etnia tajique, como um mal disfarçado senhor de guerra que ainda exerce um enorme grau de controle em grande parte do norte e que usou essa influência para enriquecer por meio de negócios feitos durante seu primeiro governo em 2001.

Mas existe pouca dúvida de que Noor também conseguiu fazer no seu canto do país o que o presidente Hamid Karzai não conseguiu em outras partes do Afeganistão: trazer desenvolvimento e segurança, com grande apoio público, para regiões divididas por rivalidades étnicas e políticas.

Por isso, Noor tem conquistado de modo lento a atenção e apoio de doadores ocidentais e se tornado fonte de estudo sobre qual tipo de governo, ainda que imperfeito, pode obter resultados no Afeganistão.

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Atta Mohammed Noor, governador da Província de Balkh, no Afeganistão
Desde 2001, americanos e outros oficiais ocidentais têm apoiado o governo central de Karzai como forma de manter o Afeganistão ao enfraquecer poderosos senhores de guerra regionais e trazer lucrativas receitas aduaneiras aos cofres do Estado.

Karzai instalou aliados políticos como governadores em todo o país, mas muitos não conseguiram dar segurança ou oferecer os serviços necessários e se envolveram em corrupção, afastando o governo dos povo afegão em todos os níveis.

Embora muitos presumam que Noor tenha usado sua posição para fazer dinheiro, ele fala contra a corrupção e tem aparentemente evitado a prática o suficiente para manter o apoio público. Esse apoio reforçou a segurança e tem permitido que outros prosperem - mais um motivo para que o povo o apoie incondicionalmente.

Tanto é seu apoio que Noor é o único governador que Karzai não conseguiu substituir ou optou por não tirar do cargo, mesmo depois de sua campanha contra o presidente nas eleições presidenciais do ano passado.

Em uma entrevista em seu luxuoso escritório, Noor nega rumores de que lucre com parte dos investimentos na região e disse que seu dinheiro foi conquistado legalmente - ele tem investimentos pessoais em negócios de petróleo, madeira, fertilizantes e construção, entre outras coisas.

Ele também critica a gestão de Karzai e afirma que o presidente nunca concluiu suas promessas de regular a cobrança de impostos, as políticas e o relacionamento entre o governo central e as províncias.

*Por Carlotta Gall

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