Exposição nos EUA provoca debate sobre legado do Watergate

Mostra sobre escândalo cria disputa entre Arquivo Nacional e apoiadores de Richard Nixon, que falam em 'injustiça' e 'distorção'

The New York Times |

A placa na entrada da maior sala de exposição dedicada a um único assunto na Biblioteca e Museu Presidencial Richard Nixon, em Yorba Linda, na Califórnia, anuncia: "Watergate".

Mas na sexta-feira, a exposição estava quase vazia, dominada por uma parede em branco que é testemunha de uma nova batalha a respeito deste ex-presidente que ainda é polarizador: como abordar o escândalo que o obrigou a deixar o cargo há 36 anos.

Funcionários do Arquivo Nacional fizeram a curadoria de uma exposição interativa sobre o Watergate que deveria ter sido inaugurada no dia 1º de julho, com base em entrevistas gravadas com 150 pessoas sobre Richard M. Nixon, que foi presidente dos EUA entre 1969 e 1974.

Mas a Fundação Nixon – um grupo de apoiadores leais do ex-presidente, que controlava o museu até ele ser anexado ao Arquivo Nacional há mais de três anos – descreveu-a como injusta e cheia de distorções, e pediu que não fosse aprovada até que suas objeções fossem corrigidas.

Bob Bostock, assessor de Nixon que projetou a exposição original sobre o Watergate e foi recrutado pela Fundação para contestar a nova instalação, apresentou uma carta de oposição de 132 páginas ao Arquivo Nacional na semana passada, alegando que a exposição não tinha o contexto necessário para ajudar os jovens visitantes a aprender sobre Watergate e entender exatamente o que Nixon fez.

"As escutas telefônicas são feitas desde Franklin Delano Roosevelt", disse Bostock. "Falta o contexto necessário: que algumas dessas coisas aconteceram também com vários antecessores de Nixon, e em alguns casos, muito mais do que com ele ".

A Fundação Nixon não tem poder de veto e, por lei, tem apenas um papel consultivo. A decisão final será tomada por funcionários do Arquivo Nacional nas próximas semanas.

A resistência da fundação marca o mais recente capítulo de uma longa e desconfortável história entre os apoiadores de Nixon e o Arquivo Nacional, que busca trazer a biblioteca de Nixon, juntamente com arquivos de documentos e gravações, para o sistema da biblioteca presidencial.

E isso está acontecendo, literalmente, no quintal de Nixon – a casa onde ele nasceu faz parte do museu.

Aqui, onde ele nasceu, ele continua a ser uma espécie de herói. A livraria do museu vende adesivos e canecas que perguntam: "O que Nixon faria?" entre livros de Laura Ingraham e Karl Rove.

“Esta é apenas a última batalha de Watergate”, disse Timothy Naftali, diretor do museu.

Por Adam Nagourney

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