Exposição mostra o poder da propaganda nazista nos EUA

WASHINGTON - A imagem mais assustadora de State of Deception: The Power of Nazi Propaganda (Estado da Decepção: O Poder da Propaganda Nazista, em tradução livre), uma exposição que toma conta do Museu Memorial do Holocausto nos Estados Unidos, pode ser a primeira que se vê depois dos vídeos de introdução. No final de um corredor escuro está uma fotografia preto e branca sobre um fundo negro. A identificação, com simplicidade ornamental, é uma única palavra: Hitler.

The New York Times |

Se trata de um pôster de campanha de 1932, quando o Partido Nazista já era o segundo maior no Parlamento Alemão. Os comícios, os soldados, a frenética retórica deste orador: tudo condensado nesta face silenciosa, que é deliberadamente inquietante, dividida entre luz e
sombra em uma mistura de conforto e ferocidade, transparência e
energias subterrâneas.

Ela é assustadora porque nós sabemos o que esta face criou e, conforme caminhamos pela exposição, nos sentimos quase fisicamente atingidos. Um punho atinge a face de um judeu (1928). Um enorme Hitler é sobreposto a uma multidão de alemães entusiasmados com as mãos erguidas e letras góticas gritam: "Ja!" (1934).

Estas imagens são quase kitsch mas têm força demais para serem
deixadas de lado. Algumas são graficamente brilhantes como a bandeira
nazista criada por Hitler, seu fundo vermelho sangue em torno de um
círculo branco com a cicatriz da suástica. Aquela cruz negra quase
nunca repousa, ela gira em torno de um braço estendido, sua forma
cortando o espaço, como se tivesse sido pega em movimento, uma
temerosa arma revolucionária.

A exposição reúne alguns destes pôsteres como foram vistos na época,
colados em paredes. Ao lado deles estão imagens das campanhas de
ataque aos nazistas em 1932 (o último fôlego da democracia) que
parecem desesperadamente menores, mesmo uma do Partido Social
Democrata que mostra um esqueleto com um uniforme nazista e as mãos sangrentas. "Nein!", grita o pôster inutilmente.

A exposição, organizada por Steven Luckert, atravessa com sucesso a
história do começo do nazismo após a Primeira Guerra à tentativa
aliada de erradicar a propaganda nazista depois da Segunda Guerra.
Conceitualmente tudo é familiar: a fundação da República Weimar, as
celebrações da virilidade ariana, o judeu como personificação do mal,
os comícios, os campos de concentração, a derrota. Mas o efeito não
está nos fatos, mas sim nas imagens e artefatos, muitos dos quais
foram emprestados por instituições europeias.

E se estas imagens têm poder sobre um espectador em uma exposição no
século 21, imagine o que elas faziam aos que acreditavam, lisonjeando
sua visão mais alta de si mesmos enquanto os lembrava das ameaças a
sua utopia representadas pelos judeus. Em um pôster de 1943, uma
gigante mão acusadora indica uma caricatura com uma estrela amarela:
"Judeu: Ele é o culpado pela guerra!". Isto, claro, enquanto os judeus
eram carregados em trens para alimentar crematórios.


Por EDWARD ROTHSTEIN

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