Exposição mostra história do Tibete do ponto de vista da China

PEQUIM - Longe do Tibete estão os escravos acorrentados, os equipamentos de tortura e os poços de escorpiões que aguardavam os servos que desobedecessem seus mestres. Longe também está o Dalai Lama, aquele chacal disfarçado em roupas de monge budista, que fugiu para a Índia há 50 anos durante um levante que a China diz ter sido usado na tentativa de preservar seu controle feudal.

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Monitora

Monitora da exposição diz aos visitantes que reformas
educacionais chinesas ajudaram crianças tibetanas

Com o Tibete fechado aos jornalistas e grande parte da região com súbitos e misteriosos problemas de telefonia e acesso à internet, a única forma de vislumbrar o país atualmente é visitando o Palácio Cultural de Nacionalidades, um composto da era socialista cuja exposição atual, "50th Anniversary of Democratic Reforms in Tibet" (50º Aniversário da Reforma Democrática do Tibete), está recebendo elogios constantes das multidões que passam por ali.

Com sua exposição de aparelhos de tortura assustadores, cenas de filmes antigos que mostram rostos mutilados e os gritos de "libertação" de inúmeros tibetanos, a exposição é uma excursão propagandista que reforça a versão do Partido Comunista da história durante um período que chama de "sensível".

Além de marcar as cinco décadas desde que o Tibete foi "liberto de um governo déspota teocrático", sábado será o primeiro aniversário dos tumultos em Lhasa que deixaram 19 pessoas mortas e geraram uma pesada resposta governamental que intensificou nas últimas semanas em áreas com grandes populações tibetanas.

O tumulto de março do ano passado foi um choque para as autoridades, que acreditavam que décadas de investimento generoso no Tibete haviam apagado qualquer ressentimento em relação a Pequim.

A exposição, que abriu no mês passado, busca contrariar as declarações de muitos estudiosos estrangeiros de que o Tibete teve breves períodos de independência e revela em detalhes a transformação positiva gerada pelo domínio chinês.

"Depois das reformas democráticas, servos e escravos puderam construir suas próprias vidas e mostraram grande entusiasmo e produção", anuncia o monitor da exposição vestido em um traje típico.

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Na mostra, escultura recria assinatura de acordos entre governos da China e do Tibete

Escultura recria assinatura de acordos entre China e Tibete

A exposição também tenta explicar a afirmação chinesa de que o Dalai Lama está tentando alimentar o sentimento separatista entre uma população contente. "A Fantasia da Restauração de Dalai" é como um painel apresenta evidências que buscam mostrar como o Dalai Lama, apoiado por potências internacionais e jornalistas ocidentais, busca voltar ao poder e separar a China.

Estudiosos ocidentais contrariam a interpretação chinesa da história e grupos de exilados tibetanos veem o Partido Comunista como um ocupante opressor, mas tais sentimentos raramente chegam aos chineses comuns, que acreditam na versão oficial promovida em livros escolares, na televisão e nos jornais.

Ao deixar a exposição na terça-feira, Dai Zhirong, vendedor de eletrônicos de Tianjin, disse que o que viu simplesmente reafirmou sua repulsa pelo Dalai Lama e seu descontentamento com o povo tibetano.

"Eu não entendo como eles podem comer nossa comida e ainda assim nos odiar", disse Dai, 57. "Quando eu sou lembrado da verdade e vejo o que os separatistas querem fazer também os odeio".

Por ANDREW JACOBS


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