Exposição dá início às comemorações pelo centenário de Abraham Lincoln

WASHINGTON - Duas máscaras de gesso branco estão em exposição lado a lado no National Portrait Gallery de Washington. Uma mostra um homem de meia idade com uma feição e um sorriso firmes - talvez porque o modelo teve que controlar a respiração enquanto o escultor esperava a substância endurecer.

The New York Times |

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Os olhos não estão lá, mas é possível perceber a personalidade do homem na sútil musculatura de sua mandíbula, nos ossos altos de suas bochechas, nas expansivas e suaves sobrancelhas. Ele é determinado, vigoroso e (nós sabemos) ambicioso.

A outra mostra o mesmo rosto, cerca de cinco anos depois. Ela parece mais uma máscara mortuária do que uma que foi moldada em um homem vivo. Aqueles anos (entre 1860, quando este homem, Abraham Lincoln, começava sua campanha pela presidência dos Estados Unidos, e fevereiro de 1865, quando faltavam apenas dois meses para que fosse assassinado) parecem ter esculpido a pele de seu rosto, afundado os olhos mais do que qualquer escultor conseguiria e detalhado marcas e bolsas na pele envelhecida.


Estátuas de Lincoln em exposição na National Portrait Gallery/ NYT

Essa modesta exposição de 30 imagens de Lincoln na Portrait Gallery - "One Life: The Mask of Lincoln" (Uma Vida: A Máscara de Lincoln, em tradução literal) pode ser o ponto alto menosprezado do anos centenário de Lincoln, que promete uma muitas conferências, exposições e livros, oferecendo revelações conseguidas em arquivos e análises, além da reabertura do Teatro Ford.

Mas a justaposição dessas duas máscaras pode ser a representação gráfica mais potente dos efeitos daqueles anos cruciais sobre o homem.

NYT

Em exposição, o retrato de Lincoln
por Alexander Gardner

Elas também sugerem como nossa concepção da grandeza pública de Lincoln está ligada à percepção de sua vida e sofrimento pessoal, além de sua empatia.

Seria quase como se ao ressuscitar a União depois de uma sangrenta Guerra Civil, Lincoln tivesse absorvido o sofrimento de toda a nação - prefigurando a iconografia cristã póstuma que se desenvolveu por ele ter sido assassinado na Sexta-Feira Santa.

"Essa guerra está devastando minha vida", Lincoln disse a um amigo. "Eu acho que não sairei vivo dela".  

Por EDWARD ROTHSTEIN

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