Experiência pós-Palin faz republicanos terem cautela para escolher vice

Chances de candidato republicano decidir por governador de primeito mandato para ser companheiro de chapa são pequenas hoje em dia

The New York Times |

Todo candidato que se aproxima da indicação republicana pode se permitir pensar no próximo passo: sua escolha para candidato a vice-presidente .

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O partido tem um problema potencialmente devastador entre os eleitores hispânicos, então o candidato pode naturalmente pensar nessa direção. Depois dos desastrosos confrontos sobre métodos contraceptivos, ter uma mulher ao seu lado poderia ajudar. Outra boa opção seria um embaixador do movimento Tea Party , que o ajudaria com a direita. E, claro, escolher alguém de um Estado decisivo pode ser fundamental.

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Sarah Palin, governadora do Alasca e companheira de chapa de McCain nas eleições de 2008
Em qualquer outro ano, suas reflexões poderiam levá-lo a escolher, digamos, a governadora Susana Martinez do Novo México, uma ex-promotora com o perfil perfeito, apoio bipartidário em seu Estado natal e que gosta de armas de fogo, para começar.

Mas em um mundo pós-Sarah Palin as chances de qualquer candidato escolher um governador de primeiro mandato para uma disputa como essa são muito pequenas. Embora pareça uma boa companheira de campanha no papel, Martinez provavelmente tem semelhanças superficiais demais com Palin para ser levada a sério, como apontou o The New Republic.

Seleção

As consequências da escolha de Palin em 2008 irão afetar as oportunidades de muitos políticos americanos. Qualquer republicano que chegue à lista de possíveis candidatos a vice-presidencia terá de passar por um processo de seleção mais rigoroso.

Já que durante as campanhas presidenciais os candidatos passam por um exame de sua alma, como David Axelrod, estrategista político do presidente americano, Barack Obama, gosta de afirmar, a escolha do vice-presidente neste ano vai ser igualmente rigorosa.

"Eles devem esperar uma violação completa de sua privacidade", disse Michael S. Berman, um assessor de longa data de Walter F. Mondale, que ajudou a vetar Geraldine A . Ferraro como candidata em 1984.

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A campanha de McCain não foi a primeira a errar na forma como selecionou seu candidato à vice-presidência.

Em 1972, George S. McGovern descobriu tardiamente que sua primeira escolha para companheiro de chapa, Thomas F. Eagleton, estava tomando medicamentos antipsicóticos e havia sido submetido a terapias de eletrochoque. A verificação de antecedentes de Ferraro não se ampliou mais profundamente no caso de seu marido, John Zaccaro, cujas finanças e práticas de negócio tornaram-se rapidamente problemas políticos para Mondale.

Em 2004, John Edwards acabou por ser um companheiro difícil para o senador John Kerry (embora Edwards não tenha se envolvido em escândalos até depois da campanha).

Mesmo quando a escolha não foi um problema, o processo de seleção muitas vezes demonstrou irregularidades: Dick Cheney foi selecionado como a escolha de George W. Bush em 2000 depois de realizar a pesquisa de antecedentes em si mesmo e Ronald Reagan flertou com a possibilidade de escolher o ex-presidente Gerald R. Ford em 1980.

Mas entre os republicanos há um foco claro sobre como evitar os problemas que marcaram a seleção de Palin: um processo apressado que deixou de fazer perguntas básicas sobre a possível candidata e colocou preocupações eleitorais de curto prazo à frente da prontidão necessária na presidência.

"Um dos erros que cometemos no processo de Palin foi o de assumir certas coisas", disse Steve Schmidt, um dos assessores que orientaram McCain no processo. "Nós imediatamente assumimos que qualquer pessoa com o título de ‘governador’ ao lado do nome teria um nível básico de conhecimento de história e política que em um mundo pós-Palin já não necessariamente é seguro assumir."

Rigor

Schmidt disse que desta vez o candidato e sua equipe precisariam fazer uma pesquisa muito melhor destinada a avaliar a capacidade dos candidatos tanto durante a campanha quanto posteriormente, caso conquistem a presidência. Segundo ele, o candidato terá de enfrentar pressão para gerir um processo muito mais rigoroso para provar à imprensa que merece ter sido escolhidi.

"Qual o nível de rigor que será aplicado desta vez?", perguntou Schmidt. "A mídia vai querer saber, por exemplo, quem analisou o candidato, quais são os critérios usados no processo, como será tomada a decisão e quão transparente será o processo".

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Governador de New Jersey, Chris Christie, é um dos possíveis nomes para concorrer como vice-presidente pelo Partido Republicano
Romney disse pouco sobre suas possíveis escolhas possíveis ou como tomaria a decisão. "Eu imagino que será algo muito privado, se eu for afortunado o suficiente para ter essa oportunidade", disse ele em uma recente entrevista com o radialista conservador Hugh Hewitt. "E nós ainda nem começamos esse processo, como você pode imaginar".

O processo de busca por um candidato à vice-presidência não se aproxima da intensidade de uma campanha presidencial, que dura em média dois anos de escrutínio sobre a vida do candidato. Mas a combinação das pressões pós-Palin, os altos riscos da eleição geral e a ação da mídia tendem a estabelecer um novo padrão de escolha do candidato desta vez. Mesmo assim, isso pode não ser suficiente para evitar algumas surpresas.

"Você pode não descobrir tudo", disse Berman. "A única pergunta que fica é: qual será a consequência daquilo que você não sabe?"

*Por Richard W. Stevenson

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