Exilados iranianos lutam para continuar envolvidos

Ativistas buscam segurança no exterior, mas tentam manter sua relevância no movimento de oposição ao governo

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Ativistas e advogados iranianos são vistos durante reunião com executivos do Google para discutir o acesso à internet no Irã
Um tratado político escrito por uma feminista iraniana na primavera deste ano revela o panorama do ativismo no exílio.

Enfurecida por um pronunciamento do aiatolá afirmando que mulheres que mostram pele demais causam terremotos, a jovem advogada, que fugiu para a Alemanha depois de sua prisão no Irã, publicou um artigo acusando todos os homens iranianos de cumplicidade com a opressão das mulheres propagada pelos aiatolás.

A crítica se tornou instantaneamente viral, provocando um debate mundial entre os iranianos, com inúmeros homens denunciando a premissa. Mas o furor logo cessou, ressaltando o dilema enfrentado por políticos reformistas, jornalistas, acadêmicos, líderes estudantis e outros que buscaram segurança no exterior desde a eleição presidencial em junho de 2009.

A internet os mantêm envolvidos no que acontece dentro do Irã, aliviando parte do isolamento da vida no exílio. Ainda assim, eles já não podem confrontar diretamente o governo da República Islâmica, onde a repressão sangrenta generalizada deixou a oposição do Movimento Verde com um futuro incerto.

De Ancara, na Turquia, a Oslo e Nova York, os exilados lutam para permanecer relevantes, esperando que, refletindo sobre a experiência do passado, possam influenciar o futuro.

"Eles mudaram seu objetivo e passaram a escrever sobre como o Irã tem um governo ilegítimo, algo que não havia sido dito anteriormente por tantas pessoas que foram importantes dentro do governo", disse Behrouz Afagh, diretor do Serviço Mundial da BBC para a Ásia e Pacífico. "Mas eles têm futuro apenas se as coisas dentro do Irã continuarem se movendo. Uma vez fora do país eles podem ser eficazes por um ano ou dois, então o que eles dizem já não têm a mesma ressonância".

Dada a natureza dispersa dos exilados, seus números exatos são desconhecidos, embora as Nações Unidas digam que houve um aumento no número de acadêmicos, jornalistas e outros que pediram status de refugiados por motivos de perseguição por opiniões políticas.

As mulheres desempenham um papel de destaque entre os exilados, como fizeram recentemente na oposição iraniana.

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O iraniano Aliakbar Mousavi Khoeini, defensor dos Direitos Humanos, participa do programa "Voice of America" em Washington

No Irã, Asieh Amini, 37, começou uma campanha chamada Stop Stoning Forever (Pare o Apedrejamento Para Sempre, em tradução livre), mas essas táticas estão fora do alcance na Noruega, para onde fugiu no ano passado.

Por isso, em junho, ela se juntou a uma dúzia de militantes do Irã dentro e fora do país na criação de um folheto de 133 páginas chamado Once Again From the Same Street (Mais Uma Vez Da Mesma Rua, em tradução livre), sugerindo que os Verdes poderiam aprender com a longa luta pelos direitos da mulher e seu sucesso na construção de movimentos de base no Irã.

Mahboubeh Abbasgholizadeh, 52, uma ativista dos direitos das mulheres que foi condenada em maio a dois e meio anos de prisão e 30 chicotadas por "atos contra a segurança nacional", agora trabalha de Amsterdã para estabelecer um canal de televisão online que transmita as discussões sobre os direitos das mulheres.

Por Neil MacFarquhar

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