Exército e instituto estudarão aumento das taxas de suicídio entre soldados

Nesta quarta-feira, 29, as Forças Armadas dos EUA, admitindo a necessidade de uma ajuda externa para descobrir porque as taxas de suicídio entre membros do exército estão crescendo, anunciou planos para colaborar com o Instituto Nacional de Saúde Mental. O projeto ambicionado há cinco anos tem como objetivo detectar as causas e fatores de riscos para o suicídio.

The New York Times |

O exército disponibilizará milhares de soldados para entrevistas com pesquisadores e irá providenciar o acesso a seus inúmeros dados, incluindo aqueles com históricos médicos, pessoais, criminais e de posicionamento estratégico das tropas. Os pesquisadores irão traçar uma seção do exército e incluirão soldados que acabaram de se juntar ao serviço militar, aqueles que estão treinando para a guerra e aqueles que acabaram de voltar de uma.

Melhor do que esperar até que o estudo se complete, o instituto Nacional de Saúde Mental irá providenciar ao exército novas informações conforme os pesquisadores as encontrem na expectativa de evitar o suicídio entre soldados.

Peter Geren, secretário das Forças Armadas, descreveu o estudo de cinco anos com o custo de US$ 50 milhões como um modelo de tarefa de referência depois do Framingham Heart Study (importante estudo do coração). Esse estudo influente observava a saúde do coração por um longo período em um grupo de participantes que não haviam até então desenvolvido sintomas ou sofrido ataques do coração.

O objetivo é construir uma elasticidade e prevenir o suicídio, disse Geren, que abordou o Instituto com a idéia de formar uma parceria no projeto. Os suicídios dentro do exército têm aumentado desde a invasão do Iraque em 2003. Em 2007, 115 soldados se mataram, uma taxa de 18,1 por 100.000 pessoas ou 1% a menos do que a taxa de civis.

Desses 115, 36 soldados se mataram quando estavam posicionados estrategicamente no exterior, 50 estavam próximos de entrar em ação e retornaram e 29 nunca chegaram a se posicionar estrategicamente. Apenas uma fração possuía um diagnóstico prévio de distúrbio de estresse pós-traumático.

Em 2008, o suicídio de soldados poderia ultrapassar o ritmo do ano passado. Em agosto, confirmaram-se 62 casos no exército. Outras 31 mortes parecem ser suicídios e estão sob investigação.

Dr. S. Ward Cassells, secretário auxiliar de defesa de assuntos de saúde, disse que o exército tem familiaridade com as causas iniciais mais comuns: problemas no casamento ou de relacionamento, desempenho ruim no trabalho, sentimento de falha no campo de batalha ou abuso no uso de álcool ou drogas. Mesmo assim, na metade dos casos, segundo Cassells, o exército não consegue descobrir porque o suicídio ocorreu.

Alcançamos um ponto em que realmente precisamos de ajuda externa, disse Cassells. Aprendemos muita coisa. Também aprendemos que não entendemos tudo.

Já o Dr. Thomas R. Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, disse que os pesquisadores irão estudar, entre outras coisas, o papel que o combate e a posição estratégica têm no suicídio. E irão conduzir análises contínuas com os soldados para mostrar como os fatores de risco se desenvolvem com o tempo e mudar o foco, adequadamente, de acordo com o que descobrirem. O estudo também buscará por tratamentos existentes e avaliar sua efetividade.

As descobertas podem ser importantes não somente para o exército como também para civis, disse Insel. As Forças Armadas são realmente um microcosmo da nação, disse ele.  


Por LIZETTE ALVAREZ

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