Evidências sugerem que violência no Quirguistão foi planejada

Para evitar que confrontos se espalhem para norte do país, polícia prende 111; há suspeitas de que líder deposto fomenta conflito

The New York Times |

Temerosa de que a violência poderia se espalhar para o norte do Quirguistão, a polícia na capital do Quirguistão, Bishkek, disse nesta quarta-feira que 111 pessoas foram presas sob suspeita de fomentar novos tumultos.

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Usbeques feridos, em sua maioria por disparos, esperam transferência médica para o Usbequistão em hospital na vila de Nariman, Quirguistão
As detenções ocorreram um dia depois de a população no sul do país começar a sair de suas casas antes cercadas por barricadas, enquanto surgiam evidências de que os dias de confrontos sangrentos foram deliberadamente organizados para inflamar as tensões de longa data entre Quirguistão e Usbequistão.

Conforme a ajuda humanitária começava a chegar à região, o gabinete do Comissário para os Direitos Humanos da ONU disse que seus investigadores acreditam que o conflito pode ter sido desencadeado por cinco ataques coordenados por grupos distintos de homens armados na noite da última quinta-feira em diferentes partes de Osh, a maior cidade do sul e a segunda maior cidade do país.

Os ataques - que deixaram pelo menos 187 mortos e 100 mil ou mais usbeques refugiados - foram "orquestrados, bem orientados e bem planejados", disse o porta-voz do comissário, e não uma manifestação espontânea de violência étnica. Ele não mencionou nomes, mas o governo provisório do Quirguistão culpou o presidente deposto do país, Kurmanbek S. Bakiyev.

Certamente nas ruas, agora mais calmas, Bakiyev é o culpado pelos usbeques, menos por evidências diretas do que por ter a motivação e habilidade para manipular as tensões étnicas na região. Ravshanoi Karimova, de 37 anos, do Usbequistão, disse que os usbeques continuarão a temer mais violência caso Bakiyev continue a agir como uma sombra.

Bakiyev fugiu dessa região em abril e se exilou na Bielorrússia. Seus adversários, porém, temem que ele não tenha encerrado seu envolvimento aqui, dados os interesses dos negócios de sua família e o seu poder no sul do país.

Seus adversários alegam que ele provocou o conflito entre a maioria quirguize e a minoria do Usbequistão para desestabilizar o frágil governo interino e tentar voltar ao cargo. Bakiyev negou qualquer envolvimento.

A prisão do filho de Bakiyev, Maksim, na Grã-Bretanha no domingo parece aprofundar a especulação. As autoridades do Quirguistão disseram que pedirão a extradição de Maksim Bakiyev de Londres "pelos crimes cometidos no território quirguize".

Maksim Bakiyev disse que vai pedir asilo político. As hostilidades começaram na semana passada e levaram a uma das piores crises humanitárias da Ásia Central nas últimas décadas, conforme hordas de saqueadores quirguizes atacaram bairros usbeques.

O número de mortos está na casa das centenas, e até 100 mil usbeques fugiram de suas casas e estão em acampamentos improvisados na área de fronteira entre o Quirguistão e Usbequistão.

Na terça-feira, com o sul um pouco mais calmo, alguns oficiais de alto escalão do Quirguistão disseram que queriam retirar seu pedido de que a Rússia enviasse tropas para ajudar a manter a ordem. Também na terça-feira, o governo e as agências humanitárias aumentaram seus esforços para ajudar os refugiados usbeques.

* Por Clifford J. Levy

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