Evangélicos pedem mudanças na reforma da imigração

Tradicionalmente republicanos e conservadores, pastores se alinharam com presidente democrata na questão da imigração

The New York Times |

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Reverendo Al Sharpton e outros líderes religiosos estava na platéia durante discurso de Obama sobre reforma imigratória
Em um momento no qual as perspectivas de uma reforma imigratória parecem mais fracas, os defensores da mudança revelaram uma arma secreta: um grupo de influentes líderes cristãos evangélicos.

Normalmente no lado oposto de questões políticas apoiadas pela Casa Branca de Obama, esses líderes estão se alinhando com o presidente para apoiar a reforma que iria incluir algum caminho para a legalização dos imigrantes ilegais que já estão nos Estados Unidos.

Eles estão pregando dos púlpitos, realizando chamadas em conferência com pastores e testemunhando em Washington. "Eu sou cristão, sou conservador e sou republicano, nessa ordem", disse Matthew D. Staver, fundador e presidente do Liberty Counsel, um escritório de advocacia religioso conservador. "Há pouco que eu concorde com o presidente Barack Obama. Por outro lado, eu não vou deixar a retórica politizada ou a afiliação partidária derrubar os meus valores, e se ele está certo sobre esta questão, vou apoiá-lo neste assunto", disse.

Quando Obama fez um discurso importante pedindo a reforma imigratória, ele foi apresentado por um proeminente evangélico, o reverendo Bill Hybels, da Igreja Comunitária de Willow Creek, em Illinois. Outros três pastores evangélicos estavam na plateia.

Sua presença era um testamento, em parte, do trabalho de pastores evangélicos latino-americanos que forjaram amizades com pastores não hispânicos nos últimos anos, enquanto trabalhavam em coalizões para se opor ao aborto e ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Os hispânicos fizeram um esforço conjunto para convencer seus irmãos de que a reforma imigratória deve ser uma prioridade moral e prática.

O apoio de líderes evangélicos ainda não é suficiente para mudar a equação. No entanto, eles poderiam mobilizar um eleitorado possivelmente grande de conservadores religiosos, uma parte importante da base republicana mais conhecida por fazer lobby contra o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Os pastores, inclusive, já ameaçam a união do partido no âmbito da imigração. "Esses aglomerados transversais são apenas grupos dissidentes, até agora", disse Larry J. Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade de Virgínia. "O apoio à lei do Arizona é tão forte dentro do partido Republicano que vai ser difícil que os evangélicos a favor de uma reforma imigratória abrangente obtenham um impacto a curto prazo".

Os defensores de uma nova lei de imigração abrangente pretendem estabelecer um caminho para a cidadania, que permitiria que imigrantes ilegais se registrassem com o governo, pagassem uma multa, fossem submetidos a um controle de antecedentes, provassem que falam inglês e, só depois, entrassem na fila para solicitar uma residência permanente legal.

Aqueles que não estejam interessados na residência permanente podem se tornar trabalhadores temporários legais. Os oponentes qualificam essa abordagem de anistia.

"Eu acho que há uma necessidade de reformar o sistema, mas eu não apoio a anistia", disse Jay Sekulow, advogado do Centro Americano para Lei e Justiça, uma firma de advocacia de interesse público conservador que apóia  alei imigratória do Arizona.

* Por Laurie Goodstein

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