Europa deve adotar regras para resgates financeiros

DAVOS, Suíça - O Banco Central Europeu está trabalhando na criação de regras para evitar que planos de resgate de um país sejam significativamente mais generosos do que os de outros, afirmou um oficial da instituição no sábado.

The New York Times |

O oficial do banco central falou sob condição de anonimato porque as regras ainda não foram estabelecidas.

As novas regras buscam evitar que os países do bloco estabeleçam planos de resgate que favoreçam seus bancos em detrimento de outros, uma tática que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, chamou de "protecionismo financeiro" no Fórum Econômico Mundial no sábado.

Oficiais europeus consideram mais injeção de capital nos bancos além da compra de investimentos ruins e a garantia de seu valor. Comprar ou garantir estes investimentos removeria as preocupações de que os bancos sejam ainda mais prejudicados caso seus investimentos continuem a desvalorizar. Mas isso também geraria questões sobre a justiça caso os preços pagos pelos investimentos, ou o valor garantido, pareça ser alto demais.

A dificuldade de determinar o valor de tais investimentos é um dos motivos pelos quais a gestão Bush mudou de curso depois que o Congresso aprovou o Programa de Alívio a Investimentos em Dificuldades, através do qual o governo comprou investimentos em dificuldades dos bancos. Ao invés disso, a gestão começou a investir diretamente em instituições financeiras. A gestão Obama considera a possibilidade de retomar o plano inicial.

Também há preocupações no exterior em relação aos Estados Unidos, que considera muitas opções de uma nova rodada de resgates, ter vantagem com seu plano por causa de seu acesso maior aos mercados de capital ou por pressionar os bancos a restringirem os empréstimos estrangeiros a favor das companhias e consumidores americanos.

Em seu discurso no sábado, Brown alertou para uma repetição dos anos 1930, quando as nações aumentaram tarifas para proteger suas próprias indústrias e prejudicaram a economia mundial. Mas, ele acrescentou, "o maior problema é o protecionismo financeiro".

Brown disse que esperava que a próxima reunião das maiores potências econômicas leve a um acordo que evite tal protecionismo. Alguns oficiais financeiros europeus questionaram privadamente a sinceridade de Brown, dizendo acreditar que o governo britânico pressionou o Royal Bank of Scotland, que agora pertence amplamente ao governo, para reduzir os empréstimos estrangeiros.

Alguns dizem também que é muito tarde para se evitar tal protecionismo, dada a pressão política para garantir que o dinheiro dos contribuintes ofereça benefícios para aqueles que injetam dinheiro.

"É tarde demais para evitar isso", disse Daniel Gros, diretor do Centro de Estudos Políticos Europeus em Bruxelas. Ele acrescentou, "Ministros de finanças gostam de seu controle".

Por FLOYD NORRIS e CARTER DOUGHERTY

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