Euro permanece forte apesar do voto irlandês

FRANKFURT, Alemanha - A rejeição irlandesa do Tratado de Lisboa mergulhou a Europa numa conhecida incerteza em relação ao futuro de seu grande experimento de integração política e econômica.

The New York Times |

Mas essa apreensão não atingiu os mercados financeiros, onde o euro voltou a subir em relação ao dólar na segunda-feira, primeiro dia útil desde que os resultados da votação irlandesa foram anunciados.

Isso denota uma grande mudança em relação aos eventos de três anos atrás, quando a rejeição da proposta de uma Constituição Européia pela França e Holanda atingiu a moeda. Naquela época, alguns especialistas questionaram se o euro sobreviveria sem uma Europa mais unificada.

Poucas pessoas dizem isso hoje, um testemunho não apenas da resistência do euro mas também de uma maior crença de que a união monetária européia pode funcionar sem uma união política.

Como uma questão prática, o Tratado de Lisboa teria pouca influência nas questões monetárias da União. Ele almeja unificar a burocracia e também instalar um presidente e chefes de política externa com maiores poderes no bloco .

Certamente, um impasse político não danificou o euro até agora. Desde a rejeição da constituição pela França e Holanda em 2005, a moeda subiu 23% em relação ao dólar.

Depois de seis anos de apreciação em relação a moeda norte-americana, o euro cresceu e se tornou forte para exportadores de vinho francês, carros de luxo alemães e sapatos italianos.

"A maioria das pessoas na eurolândia parecem felizes em ver o euro cair de 5% a 10%", disse Daniel Gros, diretor do Centro de Estudos de Políticas Européias em Bruxelas, Bélgica.

Segundo Gros, a votação irlandesa é uma reação primária ao próprio tratado, um documento denso de 277 páginas com aparente pouca relevância para as pessoas comuns. Em um tempo em que o mercado imobiliário irlandês possa por uma crise, foi fácil para os oponentes explorarem os temores e ansiedades do eleitorado.

O projeto precisa ser aprovados por todos os 27 países membros da União Européia antes que possa ser colocado em vigor, conforme o planejado, no dia 1º de janeiro de 2009.

A Irlanda pode sair como a grande perdedora da votação, de acordo com os especialistas. Politicamente isolada do restante da Europa, o país terá que lidar com seu problema imobiliário, em um momento em que o Banco Central da Europa deve aumentar, e não abaixar, os índices de juros, para tentar controlar a inflação.

Por MARK LANDLER

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