EUA veem Irã como fator para permanência de soldados no Iraque

Reticente em relação ao regime persa, secretário de Defesa Robert Gates defende que militares sejam mantidos no país como prevenção

The New York Times |

O secretário da Defesa americano, Robert M. Gates, afirmou no início da semana passada que se alguns soldados dos Estados Unidos forem mantidos no Iraque depois da retirada programada de todas as forças americanas até o final do ano, isso seria reconfortante para os países do Golfo Pérsico, mas não para o Irã. "E isso é ótimo", disse Gates.

O secretário da Defesa disse que embora os políticos iraquianos leais a Muqtada al-Sadr claramente queiram a partida total dos americanos, é discutível "o quanto isso é uma vontade dos sadristas e o quanto é uma vontade dos iranianos por trás dos sadristas".

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Robert Gates em encontro com primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, em Bagdá (foto de arquivo)
Os sadristas, que estão intimamente interligados com o Irã, durante muito tempo insistiram que todas as forças dos Estados Unidos devem deixar o Iraque até o final de dezembro, o prazo acordado entre Iraque e Estados Unidos.

Gates, que vai se aposentar no fim do próximo mês, fez seus comentários no Instituto Americano de Empreendimento, um instituto de pesquisa conservador, após declarações formais sobre o orçamento da defesa. Ele o descreveu como "meu último grande discurso sobre política em Washington".

Embora Gates e outros oficiais dos Estados Unidos tenham sustentado a possibilidade de que algumas forças americanas poderiam permanecer no Iraque depois do final do ano, o secretário de Defesa jamais havia citado o Irã como um fator considerado pelo governo de Obama.

Relatório

Os comentários de Gates coincidiram com o lançamento de um relatório de Frederick W. Kagan, do Instituto de Americano de Empreendimento, na terça-feira que disse que o uso feito pelo Irã de grupos militares terceirizados representa a ameaça mais grave para a segurança do Iraque.

Existem cerca de 45 mil soldados americanos no Iraque. Os comandantes dos Estados Unidos dizem que, embora a violência seja baixa, o Iraque ainda não tem como defender o seu espaço aéreo, coletar informações suficientes ou gerir adequadamente sua logística.

Mas manter tropas americanas no Iraque teria consequências políticas em Washington e Bagdá. O presidente americano, Barack Obama, fez sua campanha em 2008 prometendo retirar todas as forças americanas do Iraque, e quebrar essa promessa deve contrariar seus partidários de esquerda.

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki, do Iraque, está enfrentando a pressão política de Al-Sadr e seus defensores que estão entre os seus aliados mais importantes.

Este mês, porém, Al-Maliki disse que irá se reunir com líderes iraquianos para discutir se as forças dos Estados Unidos devem permanecer ou não no país.

Se a maioria dos legisladores iraquianos e líderes políticos apoiar a ideia, Al-Maliki disse que estará aberto a fazer algum esforço para que os Estados Unidos fiquem. E ele disse que os apoiadores de Al-Sadr teriam de aceitar a decisão da maioria.

*Por Elisabeth Bumiller

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