EUA planejam encerrar missão de combate no Afeganistão em 2013

Sem dar detalhes, Leon Panetta diz que tropas terão papel de 'aconselhar e auxiliar' forças afegãs até a retirada total em 2014

The New York Times |

Em um passo para acabar com uma guerra que já dura dez anos , o secretário de Defesa dos Estados Unidos Leon E. Panetta disse nesta quarta-feira que as forças de seu país vão deixar de ter um caráter combativo a partir de meados de 2013 - mais de um ano antes do planejado para a retirada completa das tropas .

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AP
Panetta substituiu Robgert Gates como secretário de Defesa americano (foto de arquivo)

Panetta qualificou a decisão como um passo ordenado em um longo processo de retirada planejado pelos EUA e seus aliados, mas seus comentários representam a primeira vez em que os EUA estabelecem uma data para deixar seu papel central na guerra. As palavras do secretário de Defesa refletem o afã do governo Obama em encerrar a segunda das duas guerras herdadas do governo George W. Bush (2001 - 2009).

Ao prometer o fim da missão de combate no Afeganistão para o ano que vem, o governo Obama garante uma certa ovação ao presidente, que está buscando a reeleição neste ano .

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Panetta disse que nenhuma decisão foi tomada quanto ao número de soldados americanos que serão retirados em 2013, e deixou claro que a luta substancial continua. "Não significa que não estaremos prontos para o combate. Nós estaremos, porque sempre temos que estar preparados para nos defender", disse a repórteres em seu avião a caminho de um encontro com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Bruxelas, no qual o Afeganistão é assunto principal.

Os Estados Unidos têm cerca de 90 mil soldados no Afeganistão, dos quais 22 mil devem retornar para a casa esse ano. Não foi estabelecido nenhum cronograma para a saída das 68 mil tropas que permanecerão; o que se sabe apenas é que todos serão retirados em 2014.

Panetta não deu detalhes sobre o que significa esse recuo dos combates, dizendo apenas que as tropas iriam passar para a ter um papel de "aconselhar e auxiliar" as forças de segurança do Afeganistão. Essas definições ficam confusas, particularmente em um país como o Afeganistão, onde as forças americanas estão espalhadas em pequenas bases através do deserto, campos agrícolas e montanhas.

O secretário da Defesa disse que a retirada dos Estados Unidos do Iraque serviu de modelo. As tropas americanas foram gradativamente deixadas para as bases maiores, deixando a maior parte dos combates para os iraquianos.

Ele disse que as discussões com a Otan estariam voltadas para uma otencial diminuição das forças de segurança afegãs para 350 mil tropas, em grande parte por conta dos gastos em manter um Exército tão numeroso. Os EUA e outros países da Otan apoiam essas forças com um custo de cerca de US$ 6 bilhões por ano, mas a crise financeira na Europa faz com que alguns países contrariem a medida. "O fundo fundo vai ser determinante para que tipo de força poderemos sustentar no futuro", disse Panetta.

Ele e sua equipe minimizaram o anúncio feito na semana passada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy de que seu país iria sugerir aos aliados da Otan uma retirada acelerada de suas forças do Afeganistão, retirando suas tropas um ano antes, ao fim de 2013.

Sarkozy fez o anúncio depois de um ataque de um soldado afegão que matou quatro franceses desarmados durante uma missão de treinamento. Houve incidentes similares de tropas afegãs que mataram forças americanas, mais recentemente envolvendo a morte de um marine em Helmand na quarta-feira.

Uma autoridade senior de defesa disse que os americanos consideraram os ataques como "incidentes isolados", embora "obviamente muito pertubadores". Ele disse que os procedimentos para a habilitação das forças afegãs estão sendo revistos.

Panetta disse que ele iria buscar tranquilizar a Otan que, apesar das restrições orçamentárias e da ênfase na Ásia que forçaram os EUA a returar duas brigadas de combate da Europa, o país não estava abandonando seus aliados.

Elisabeth Bumiller

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