EUA tentam impedir corrida nuclear no Oriente Médio

Washington negocia acordos para permitir que região desenvolva energia nuclear, mas sem fabricar combustível usado em bombas

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Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em foto de 4 de maio em Nova York
A abertura, na segunda-feira, da conferência de um mês das Nações Unidas para reforçar o principal tratado contra a proliferação de armas nucleares deve ser dominada pelo presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciando o Ocidente e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, advertindo que, se Teerã obtiver a bomba, o restante do Oriente Médio vai rapidamente seguir seu exemplo.

Mas, de maneira muito menos visível, a gestão Obama tem realizado uma campanha individual para ir além do tratado e garantir que a ambição de destreza atômica do Irã não cause uma corrida regional aos armamentos nucleares.

Nos últimos meses, os diplomatas têm buscado acordos que permitirão que países desenvolvam a energia nuclear desde que renunciem ao direito de fabricar o combustível atômico que seria usado em bombas.

Desde que os 189 signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear se reuniram em Nova York há cinco anos, muitas das nações ricas em petróleo começaram a pensar em estabelecer suas próprias usinas nucleares, argumentando que suas reservas não durarão para sempre. Mas os Estados Unidos temem que seu receio de uma bomba iraniana possa levá-los a usar a mesma tecnologia para desenvolver suas próprias armas.

A estratégia americana, que teve início durante a gestão George W. Bush, é antecipar essa possibilidade. "Nós acreditamos que essa é a fórmula certa para o Médio Oriente", disse Ellen Tauscher, subsecretária de Estado para o Controle de Armamento e Segurança Internacional.

No final do ano passado, a gestão Obama fechou seu primeiro acordo com os Emirados Árabes Unidos, que se preparam para construir um complexo reator de US$ 20 bilhões na costa do Golfo Pérsico. Diplomatas estão negociando acordos semelhantes com a Jordânia e Bahrein e já têm algo fechado com a Arábia Saudita.

A gestão está tentando convencer os países do Oriente Médio a não enriquecer o urânio para a obtenção de combustível de reator para depois reutilizar o plutônio, um processo conhecido como reprocessamento.

Ambos são permitidos pelo Tratado de Não-Proliferação e podem se tornar formas clandestinas de obtenção do combustível atômico. Em vez disso, os países comprariam o combustível de fornecedores internacionais. "Quanto menos enriquecimento e reprocessamento houver, melhor", disse Tauscher.

*Por William J. Broad e David E. Sanger

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