EUA são alvo de ódio na imprensa paquistanesa

Após piora nas relações, mídia do Paquistão especula sobre possibilidade de ataque americano ao país

The New York Times |

Os Estados Unidos podem ainda estar considerando suas opções sobre como lidar com o Paquistão, mas muitos políticos, generais reformados e apresentadores de programas de entrevistas da televisão paquistanesa já decidiram que a América está em pé de guerra com seu país.

O frenesi da mídia é tamanho que apresentadores de programas populares começaram a discutir possíveis cenários de como o Paquistão deve reagir caso os Estados Unidos ataquem o país.

AP
Manifestantes queimam representações das bandeiras de Índia e EUA em Multan, no Paquistão (23/09)

Islamabad, a capital do país, tem sediado uma série de atividades diplomáticas como as visitas de oficiais chineses e árabes. O embaixador dos Estados Unidos, Cameron Munter, se reuniu com o presidente Asif Ali Zardari e com o Secretário de Negócios Estrangeiros Salman Bashir.

Após o encontro com o vice-primeiro ministro da China, Meng Jianzhu, na terça-feira, o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani disse que "a China apoia os esforços do Paquistão para defender sua soberania, sua independência e sua integridade territorial", uma farpa claramente destinada aos Estados Unidos.

Em entrevista concedida à Reuters, Gilani advertiu contra qualquer invasão da fronteira por tropas dos Estados Unidos alocadas no Afeganistão.

O Exército e os órgãos de inteligência do Paquistão, por sua vez, têm transmitido mensagens através da postura que adotam.

O General Ashfaq Parvez Kayani, comandante do Exército, cancelou sua visita à Grã-Bretanha na segunda-feira sentindo uma possível crise adiante.

No domingo, Kayani liderou uma reunião com seus principais comandantes militares. Nenhuma declaração foi feita, mas vazamentos por meio da mídia local advertiram sobre uma "resposta severa" a qualquer ataque contra o Paquistão por forças dos Estados Unidos presentes no Afeganistão. Uma autoridade disse que os comandantes militares concordaram em tentar acalmar a situação e reduzir a tensão com os Estados Unidos.

A mídia eletrônica e impressa foi tomada por discussões sobre a possível ruptura entre os dois aliados. Vários oficiais aposentados do Exército adotaram uma postura muito dura, sugerindo que o governo rompa os laços com os Estados Unidos.

Tais demonstrações ficaram em evidência nos últimos dias, depois que o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto americano, acusou a agência de inteligência paquistanesa de colaborar com o grupo Haqqani.

Por Salman Masood

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