EUA: Qual o tratamento para alguém que passa dos limites?

Apesar de sinais percebidos por amigos e parentes, atirador Jared Loughner não recebeu diagnóstico formal no Arizona

The New York Times |

O que fazer com alguém como Jared L. Loughner?

Essa pergunta é tão difícil de responder hoje quanto era nos anos e meses e dias que antecederam o tiroteio que deixou seis mortos e 13 feridos, em Tucson, no Arizona.

AP
Jared Loughner, em foto fornecida por autoridades americanas
Milhões de americanos se perguntam sobre entes queridos, amigos ou colegas de trabalho conturbados, temendo não tanto que essas pessoas cometam um ato de violência, mas que provavelmente acabem por prejudicar a si mesmas, caindo nas ruas, na prisão ou no suicídio.

Mas aqueles em posição de ajudar, muitas vezes têm dificuldade em distinguir o comportamento ameaçador daquele que é meramente estranho.

No caso de Loughner não há qualquer evidência de que ele tenha recebido um diagnóstico formal de doença mental ou tratamento. No entanto, muitos psiquiatras dizem que os sinais de uma possível psicose estavam lá há meses ou muito mais.

Cuidar de uma pessoa resistente ao tratamento é um processo emocional que, no final, pode não levar a mudanças reais de comportamento. Os recursos destinados à saúde mental são escassos na maioria dos Estados americanos, leis dificultam a internação de um adulto involuntariamente, e mesmo depois de receber tratamento, os pacientes frequentemente param de tomar a sua medicação ou ir a um terapeuta.

O atirador da universidade Virginia Tech foi internado involuntariamente antes de matar 32 pessoas no ataque de 2009. Com Loughner, dezenas de pessoas aparentemente viram sinais de alerta: os colegas que observaram a sua linguagem dogmática se tornar cada vez mais distante da realidade. Os policiais que, nervosamente, disseram que ele não poderia voltar para a faculdade sem um relatório médico informando que não era perigoso. Seu pai, que o perseguiu por horas no deserto antes do ataque enquanto Loughner carregava uma mala preta cheia de munição.

Alertas

Jack McClellan, um psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de Washington, disse que aconselha as pessoas que estão preocupadas com alguém que está lutando com um transtorno mental a prestar atenção em três coisas: uma mudança súbita na personalidade, nos processos de pensamento ou no dia a dia.

"Não se trata de uma pessoa que tem agido estranho. Muitas pessoas, especialmente jovens, experimentam todo tipo de crença estranha e ideias da contracultura", disse McLellan. "Estamos falando de uma mudança real. Esta é a mesma pessoa que você conhecia há três meses?"

No Arizona, é mais fácil obter uma internação involuntária do que em muitos Estados, pois qualquer pessoa pode solicitar uma avaliação se observar um comportamento que sugere que uma pessoa possa representar perigo (muitas vezes as leis estaduais exigem alguma evidência de perigo iminente para si ou aos outros).

Ainda assim, as pessoas que já passaram pela experiência dizem que é melhor agir o mais cedo possível.

"Não é fácil saber quando você pode ou deve intervir, mas eu prefiro errar e agir com segurança, do que não agir", disse H. Clarke Romans, diretor-executivo da Aliança Nacional da Doença Mental local, que teve um filho com esquizofrenia.

*Por A. G. Sulzberger e Benedict Carey

    Leia tudo sobre: arizonatucsoneuadoença mentaljared loughner

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG