EUA precisam lidar com a mudança climática

Senado americano deve aprovar projeto de lei que limita emissão de gás carbônico na atmosfera

The New York Times |

Não é preciso ir longe para ver que os Estados Unidos precisam reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e desenvolver fontes de energia mais limpas.

Isso pode ser visto no vazamento de petróleo no Golfo do México. Pode ser visto no agressivo esforço da China em vencer a concorrência global por tecnologias verdes e postos de trabalho ecológicos. E, mais urgente, pode ser visto na inexorável matemática da acumulação dos gases causadores do efeito estufa.

E onde está o Senado dos Estados Unidos? Depois de um ano de conversa, chegou-se a absolutamente nada. Paralisado pelo partidarismo, amarrado pela indiferença da liderança, ele não é capaz de reunir uma maioria (muito menos os 60 votos necessários para impedir uma obstrução) sequer para uma modesta lei de clima e energia.

Os senadores John Kerry e Joseph Lieberman apresentaram um projeto de lei bom, mas longe de perfeito, na última quarta-feira, que pelo menos indicaria o caminho certo ao país. Pela primeira vez se estabeleceria um preço às emissões de carbono que hoje são despejadas na atmosfera sem qualquer penalidade. Valores são pré-requisitos essenciais para a redução das emissões e para mudar a indústria americana para fontes mais limpas e menos poluentes de energia.

A medida também iria investir amplamente em combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono, além de veículos mais eficientes e transporte de massa.

Os dois senadores (inicialmente três, até que Lindsey Graham abandonou a iniciativa) trabalharam muito para criar um projeto digno da medida aprovada pela Câmara em junho do ano passado. Eles merecem nossa gratidão. Mas a lei não terá chance de ser aprovada a menos que o presidente Barack Obama tome uma atitude.

Obama se comprometeu a colaborar com o Senado para aprovar um amplo projeto de lei para clima e energia "ainda este ano". Este é o tipo de declaração que não vai mudar a cabeça dos envolvidos. O que Obama deveria dizer é que vai pressionar o Senado até que faça o que este país precisa.

Kerry e Lieberman repassaram todo tipo de incentivo a várias indústrias para obter seu apoio, e a declaração foi aprovada por vários grandes produtores, incluindo a Duke Energy. Mas os republicanos permanecem unanimemente opostos e os democratas de Estados industriais não são grandes entusiastas do projeto.

Conseguir com que o Senado aja não é apenas uma questão de liderança para Obama. É também uma questão de honra e com bases científicas. Na Conferência da Mudança Climática realizada em Copenhague, em dezembro de 2009, o presidente - que fez muito para evitar o fracasso daquela reunião - prometeu uma redução de 17% das emissões de gases causadores do efeito estufa deste país.

Este é o objetivo do projeto de lei apresentado no Senado e o mínimo que os cientistas acreditam ser necessário para colocar os Estados Unidos a caminho de reduzir suas emissões em 80% até a metade do século - o que precisa fazer para ajudar a evitar os piores impactos mundiais do aquecimento global.

Apesar da pressão da indústria, o projeto de lei mantém grande parte da autoridade do Departamento de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) em regular a redução das emissões de usinas. Além disso, na quinta-feira, o órgão publicou um artigo dizendo que planeja abordar apenas os maiores emissores. Mas, ainda que a autoridade da EPA seja importante, o Congresso precisa agir. Um esquema amplo de mercado seria muito mais eficaz do que um emaranhado de regulamentos.

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases causadores do efeito estufa do mundo, depois da China. Até que o país aja com seriedade para controlar as emissões, grandes países em desenvolvimento não farão o mesmo. Como Obama bem sabe, todos os senadores gostam de se imaginar como líderes mundiais. Bem, aqui está sua oportunidade de liderança.

* Editorial

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