EUA podem proteger Oriente Médio caso Irã consiga armas nucleares, diz Clinton

PHUKET, Tailândia - Endurecendo a postura americana em relação ao Irã, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton alertou na quarta-feira que os Estados Unidos considerariam posicionar um guarda-chuva de defesa sobre o Oriente Médio se o país continuar desafiando exigências internacionais para que pare o trabalho que pode conduzir à fabricação de armas nucleares.

New York Times |

Ainda que tal proteção defensiva há muito seja suposta, funcionários da gestão em Washington reconheceram na quarta-feira que nenhum oficial sênior já havia discutido publicamente a questão. Alguns dos funcionários disseram que o momento das observações de Clinton reflete uma crescente urgência de que o presidente Barack Obama precisava sinalizar para Teerã que suas ambições nucleares podem ser combatidas militarmente, tanto quanto diplomaticamente. Também marca a crescente preocupação em Washington que outro Estado do Oriente Médio (principalmente Arábia Saudita e Egito) possam querer buscar seus próprios programas nucleares temendo que o Irã esteja cada vez mais perto de suas possíveis ambições nucleares.

Mais tarde, Clinton explicou seus comentários sobre o Irã, feitos antes de uma reunião regional aqui, dizendo que a advertência dela de que os Estados Unidos criariam tal guarda-chuva não representa nenhum passo atrás em relação à posição atual da gestão Obama que acredita ser necessário impedir que Teerã consiga a capacidade de construir bombas. Mas suas palavras sugeriram que a gestão já está prevendo também uma estratégia de retenção, caso todos os esforços de negociação fracassem.

A declaração dela também acontece no momento em que divisões internas no Irã e a grave repressão dos protestos pós-eleição complicaram a promessa de Obama de "envolver" o Irã diretamente. Oficiais iranianos indicaram que apresentarão novas propostas sobre o programa nuclear, e oficias americanos disseram que suas oferta de negociação ainda está de pé.

Falando a uma plateia durante um encontro televisionado em Bangkok, Clinton disse: "Nós queremos que o Irã calcule o que eu acredito ser uma avaliação justa de que, se o EUA estenderem um guarda-chuva de defesa sobre a região, se fizermos ainda mais para apoiar a capacidade militar daqueles no Golfo, é improvável que o Irã será mais forte ou mais seguro, porque eles não conseguirão intimidar e dominar, como aparentemente acreditam que poderão fazer assim que tiverem uma arma nuclear."

A promessa de defesa lembra o chamado guarda-chuva nuclear que Washington estende a seus aliados asiáticos (implicitamente, a promessa de represália americana caso seus aliados sejam atacados com armas nucleares). Mas ela não usou o termo nuclear e um oficial sênior do Departamento de Estado alertou que suas palavras não deveriam ser interpretadas daquela maneira.

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