EUA podem abandonar antigas condições para negociar com Irã

WASHINGTON - A gestão Obama e seus aliados europeus preparam uma proposta que irá mudar sua estratégia em relação ao Irã ao abandonar uma antiga insistência americana de que Teerã encerre rapidamente suas atividades nucleares durante as fases iniciais de negociações sobre seu programa atômico, de acordo com os envolvidos na questão.

The New York Times |

As propostas, trocadas em sessões confidenciais com aliados europeus, pressionariam Teerã a abrir seu programa nuclear gradualmente para maior inspeção. Mas também permitiriam que o país continuasse a enriquecer urânio por algum tempo durante as negociações. Esta seria uma mudança perceptível da postura adotada pela gestão Bush, que exigia que o Irã parasse todas as atividades relacionadas ao enriquecimento, ainda que brevemente, para só então dar início às negociações.

As propostas sob consideração iriam além da promessa de campanha do presidente Barack Obama de abrir negociações com o Irã "sem pré-condições". Os oficiais envolvidos na questão disseram que as determinações serão criadas para atrair o Irã a negociações às quais até então o país se recusou.

Uma revisão da política iraniana que Obama solicitou depois de assumir o cargo ainda está em andamento e, segundo seus assistentes, não se sabe por quanto tempo ele está disposto a permitir que o Irã continue a enriquecer urânio e a que ritmo. Mas oficiais europeus disseram que em conversa com Obama e seus assistentes durante sua viagem à Europa, houve acordo que o Irã não aceitará o tipo de fechamento imediato que a gestão Bush exigia.

"Nós concordamos que isso simplesmente não iria funcionar e a experiência nos diz que os iranianos não vão aceitar isso", disse um oficial europeu sênior envolvido nas sessões de debates estratégicos. "Por isso, iremos começar com passos pequenos e conquistar alguma confiança".

Oficiais da gestão se recusaram a discutir detalhes de suas deliberações confidenciais, mas disseram que qualquer política americana iria exigir que o Irã parasse de enriquecer urânio, como exigido por inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"Nosso objetivo permanece exatamente o mesmo das resoluções da ONU: suspensão", disse um oficial americano. Outro oficial alertou que "ainda estamos gerando ideias" e disse que os termos de uma proposta de abertura ao Irã ainda estão em debate.

Se os Estados Unidos e seus aliados permitirem que o Irã continue a enriquecer urânio por alguns meses, ou mais, a postura deve enfrentar objeções, tanto dos conservadores nos Estados Unidos quanto do novo governo israelense liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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